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VENDA DA CGD NO BRASIL CANCELADA. BANCO DO GRUPO AMORIM NEM CHEGOU A APRESENTAR PROPOSTA FINAL
2020-05-21
Diogo Cavaleiro
21.05.2020 às 11h56
 

Novo processo de venda do Banco Caixa Geral Brasil, obrigatório para cumprir as exigências de Bruxelas, será relançado quando as condições de mercado se normalizarem.

O processo tinha três finalistas mas apenas dois chegaram a apresentar propostas. O Banco Luso Brasileiro, de que o português Grupo Amorim é um dos acionistas, deixou a corrida. E, assim, falhou a venda do banco da Caixa Geral de Depósitos no Brasil, formalizada pelo Governo esta quinta-feira, 21 de maio, um processo que, como o Expresso já tinha revelado, estava a enfrentar dificuldades.
 
Como anunciado no Conselho de Ministros da passada semana, e consta hoje do Diário da República, o Governo determinou, “tendo por base a apreciação do relatório apresentado pela Caixa Geral de Depósitos, S. A. (CGD), que não estão reunidas as condições para que qualquer das propostas apresentadas possa ser aceite, não se encontrando suficientemente garantida, à luz do interesse público, a concretização dos objetivos subjacentes ao processo de alienação”.
 
O Executivo - que está a tratar este processo como uma privatização, pelo que segue regras apertadas - tinha selecionado três investidores para apresentaram propostas vinculativas, mas apenas dois o fizeram: a Artesia Gestão e Recursos e o Banco ABC. Quer isto dizer que o Banco Luso Brasileiro, de que o Grupo Amorim detém 43% do capital, que era o terceiro interessado, acabou por não avançar com uma oferta vinculativa.
 
Os valores e as propostas apresentados não foram do agrado da administração da CGD, que recomendou ao Ministério das Finanças, onde o dossiê é gerido pelo secretário de Estado Ricardo Mourinho Félix, abortar este processo de venda. Assim foi. Só que a alienação da posição no Brasil é uma obrigatoriedade imposta pela Comissão Europeia desde 2017, quando o Estado colocou 3,9 mil milhões de euros no banco público, pelo que terá de acontecer.
 
Assim, o diploma publicado em Diário da República sublinha já que fica determinado “o relançamento, por parte da CGD, do processo de alienação das ações representativas da totalidade do capital social da sociedade Banco Caixa Geral - Brasil, S. A., quando estejam reunidas as condições de mercado, tendo em conta o atual contexto epidemiológico, em termos e condições a definir”.
 
Este processo de venda da CGD tem vindo a sofrer atrasos consecutivos. Começou ao mesmo tempo que as operações de saída de Espanha e África do Sul, já concluídos, e foi agora adiado novamente. Em paralelo, a Caixa também está a vender um dos bancos em Cabo Verde, o Banco Comercial do Atlântico.

 
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Fotografia: João Relvas / LUSA