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CAIXA, BCP E NOVO BANCO ACABAM COM PLATAFORMA DO MALPARADO ESTE MÊS
2020-07-08
ECO SAPO
Alberto Teixeira
7 Julho 2020
 
 
A plataforma do malparado já se encontra em fase de liquidação. Será fechada até final do mês. Banca justifica encerramento com mudanças no contexto financeiro e regulatório.

Cerca de dois anos depois de ter sido criada, a plataforma para a gestão comum do crédito malparado da Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP e Novo Banco vai ser encerrada, encontrando-se já em processo de liquidação até ao final do mês.
 
“Após mais de dois anos de atividade, os membros da Plataforma de Negociação Integrada de Créditos Bancários (PNCB) decidiram pelo encerramento desta estrutura comum, que irá ser liquidada até 31 de julho de 2020”, adiantou a plataforma ao ECO, confirmando uma notícia que já tinha sido avançada pelo ECO Insider, newsletter do ECO exclusiva para assinantes. No próprio site da plataforma já surge a informação de que está em fase de liquidação.
 
Os bancos justificam esta decisão com a mudança “no contexto e pressupostos” em que a plataforma foi criada, em janeiro de 2018. “Evoluíram em sentido diferente do esperado e, designadamente, o contexto económico, financeiro e regulatório em que os bancos membros da PNCB operam sofreu alterações muito significativas desde a criação da PNCB“, explica a entidade.
 
Esta plataforma tem como membros fundadores três bancos: CGD, BCP e Novo Banco. Mais tarde, entrou como membro a Caixa Leasing e Factoring – Sociedade Financeira de Crédito.
 
 
"O contexto e pressupostos em que a PNCB foi criada evoluíram em sentido diferente do esperado e, designadamente, o contexto económico, financeiro e regulatório em que os bancos membros da PNCB operam sofreu alterações muito significativas desde a criação da PNCB. Assim e após mais de dois anos de atividade, os membros da PNCB decidiram pelo encerramento desta estrutura comum, que irá ser liquidada até 31/07/2020.”

Plataforma do malparado
 
 
A PNCB foi criada com o objetivo de fazer uma gestão comum dos processos de empréstimos problemáticos dos bancos, acima dos cinco milhões de euros, desenvolvendo atividades de negociação integrada de créditos e de garantias que permitissem otimizar a recuperação de créditos. Com uma equipa própria, tendo como presidente da direção executiva José Manuel Correia, atuou com uma carteira de créditos de cerca de 1,2 mil milhões de euros.
 
A plataforma era vista como um importante instrumento para a banca lidar com o problema do malparado, mas não terá produzido resultados suficientes. A própria Comissão Europeia, num dos últimos relatórios sobre Portugal, criticou a falta de resultados da PNCB, notando que, apesar dos esforços para reduzir o crédito em incumprimento, a banca portuguesa continua a ter um dos níveis mais elevados na região. Os últimos dados indicam que o rácio de malparado do setor bancário nacional se situava nos 6,1% no final de 2019, abaixo dos 17,5% registados no final de 2015.
 
A decisão de encerrar a plataforma surge num momento em que se avizinha uma nova onda de incumprimentos no crédito por causa da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.
 
Por uma questão de precaução, os bancos já provisionaram mais de 200 milhões de euros nas contas do primeiro trimestre para fazer face a um expectável aumento do malparado que, para já, se encontra “anestesiado” pelas moratórias no crédito concedidas a empresas e famílias.
 
 
 
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