Quinta-Feira, 19 de Outubro de 2017

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CARTA ABERTA AO DR. PEDRO REBELO DE SOUSA
2012-05-08
COMUNICADO 06

Na edição do semanário Expresso do passado dia 5, teve V. Exa. a frontalidade de revelar um desejo “... que o Estado devia vender 40% da Caixa Geral de Depósitos”.

Em relação a esta posição, os trabalhadores da CGD têm o direito a perguntar:

  • Por onde andava V. Exa. quando, em 2008, o governo decidiu nacionalizar o BPN, após uma gestão privada que se caracterizou por fraudes sucessivas, até agora impunes, e de que ainda hoje há clientes lesados?
     
  • Como foi possível V. Exa. ter ficado silencioso quando o governo deliberou que seria uma instituição bancária pública - a CGD, a gerir o BPN nacionalizado?
     
  • Como reagiu V. Exa. ao coro de aplausos que então se verificou? Às vozes insuspeitas que não deixaram, então, de salientar a vantagem ímpar que o país detinha, ao dispor de um banco público?

Se não responder, é porque de facto V. Exa. decidiu fazer jus à afirmação tantas vezes ouvida, de que a memória dos homens é curta!

Numa outra das suas confidências ao Expresso, V. Exa. refere que regressou a Portugal, “aceitando o convite feito pelo Prof. Cavaco Silva para privatizar o Banco Fonsecas & Burnay”.

Face a esta declaração, os trabalhadores da CGD têm o direito a saber se o convite agora recebido por V. Exa. para integrar a Administração da CGD envolveu a mesma orientação - vir para a CGD, mas para trabalhar para a sua privatização!

Na mesma entrevista, V. Exa. tem outros desabafos como “... estar a ter mais trabalho na CGD do que esperava”.

Quanto a esta afirmação, V. Exa. foi mesmo ofensivo para os trabalhadores da CGD, que apesar de não saberem quanto veio ganhar, nem as mordomias de que dispõe, sabem que está a ganhar, proporcionalmente, bem mais do que o Presidente da República! Trabalhadores da CGD a quem são exigidos objetivos tantas vezes irrealistas, que recebem um salário manifestamente insuficiente e que acabam de ser discriminados com o corte dos Subsídios de Férias e Natal, sem que isso mereça de V. Exa. qualquer comentário.

Mas como se tudo isto não bastasse, V. Exa. entendeu mesmo ultrapassar as regras mínimas do decoro, ao confessar que “... passa na CGD apenas 15% do seu tempo”.
Ora, caso o desconheça, V. Exa. tem a obrigação de saber, que os trabalhadores da CGD entram todos os dias ao serviço, a uma hora determinada, mas que nunca sabem quando podem sair! Que vão para o serviço em viatura própria ou em transporte público, mas que o pagam do seu bolso.

Esta carta aberta já vai longa, mas deixamos ainda a V. Exa. um último conselho, ou repto, como o quiser entender - consulte a história da CGD, que acabou de perfazer em Abril 136 anos de vida, estude as razões por que, tendo nascido com a Monarquia, passou pela instauração da República, pelo Estado Novo e pela Revolução de Abril, sempre e cada vez mais forte e com um papel de maior relevo! Qual o segredo desta Instituição, para ao longo da sua existência se ter confundido com o próprio país, para deter uma imagem única de rigor e confiança junto das populações ao longo de tantas gerações?

Com frontalidade, os trabalhadores da CGD têm o direito a esperar de V. Exa. uma resposta.

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