Sábado, 19 de Agosto de 2017

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INTERVENÇÃO DO PRESIDENTE DA DIREÇÃO DO STEC NO FORUM TSF
2012-10-01
TSF - AUDIO

Intervenção do Presidente da Direção do STEC, João Lopes, no forúm da TSF, realizado no dia 27 Setembro, subordinado ao tema "Privatização da Caixa Geral de Depósitos?".

TSF –

Começava por lhe pedir um comentário à informação oficial por parte do Ministério das Finanças de que o futuro do banco do Estado foi tema de conversa nas negociações com a Troika. Não foi confirmado nada sobre a sua privatização, mas apenas que a questão da CGD foi abordada nessas conversas


João Lopes –
O que tenho a dizer sobre isso é que uma vez mais estamos sobre uma questão de cariz profundamente ideológico visto que à luz de todos e quaisquer princípios, desde o passado da empresa que nunca foi privatizada; a CGD foi criada em 1874 e até hoje passou pela monarquia, pela república, pelo Estado Novo, pelo 25 de Abril e agora, de repente, descobre-se que tem de ser privatizada, ou uma parte privatizada, como disse o Dr. Tavares Moreira, do qual eu discordo completamente. Agora pode dizer-se o seguinte, a CGD está a dar prejuízos e parece que ainda vai dar mais para o ano, resultante das imparidades e de algumas operações de alto risco em que se envolveu, agora não sabemos se se envolveu por a Administração ou por decisões da Administração que foram encomendadas pelo poder executivo, e isso só os próprios é que podem justificar. Agora o que sabemos é uma coisa: a CGD em 2005 ou 2006 ou 2007 deu “apenas” num ano 1000 milhões de lucros e todos os anos somava centenas de milhões de lucros, portanto qualquer aumento de capital que tenha sido feito resultante dessas imparidades e quaisquer prejuízos que já tenham ocorrido, ou que venham a ocorrer proximamente, mesmo em resultado dessas politicas e da atribuição de crédito incorretas, de maneira nenhuma fica atrás do lucro de milhares e milhares de milhões que ao longo destes anos o orçamento de estado recebeu da CGD. Só por esse facto é uma atitude profundamente antinacional puderem abrir o capital a privados.

Depois coloca-se a questão da CGD estar a ser mal gerida, ou tem sido mal gerida. A CGD nem sempre foi bem gerida. É evidente que resulta um pouco de quem lá é colocado, mas a verdade é esta: são os bancos privados que dão lições de gestão? Tivemos o exemplo recente do BPN, do BPP e mesmo de outros que estão na praça em que as suas ações descessem como estão a descer. É daí que recebemos lições de gestão? A economia nacional é daí que recebe os apoios para as suas necessidades? A CGD pode, neste momento, não estar a cumprir aquilo que devia cumprir, até pelas situações financeiras em que infelizmente se encontra porque foi atirada, agora não é a banca privada que resolve os problemas deste país, isso de facto não é.

Depois Portugal abdicava de ter um banco publico, então e o exemplo dos nossos parceiros europeus? Vamos à Alemanha, Itália, França e qual é o peso dos bancos públicos desses países? E porque é que será que eles os têm? E porque é que estão interessados que Portugal deixe de ter? Ainda por acréscimo, embora que em qualquer situação estejamos sempre conta a privatização que no limite até provocaria a perda de postos de trabalho dentro do grupo. Mas temos de recordar o seguinte: a CGD até 1991/92 dentro das várias intervenções que tinha, tinha uma área que era chamada as Casas de Crédito Popular, em que controlava com isso o sector das chamadas casas de penhor. O maior Know-how que havia, nomeadamente nas avaliações de ouro do país, era detido por gente da CGD. Nessa altura foi entendido que a CGD deveria abandonar esse negócio, essa intervenção, o que é que hoje acontece à população portuguesa? Estão perfeitamente à mercê da agiotagem dessas casas de penhor apenas porque a CGD se retirou dessa área de mercado e esse é um exemplo vivo da importância que uma instituição pode ter dentro da economia nacional e das populações.

Por conseguinte, nós estamos profundamente contra qualquer hipótese de privatização. Vamos lutar com todos os meios que pudermos contra qualquer abertura de capital e não vai ser fácil ao atual governo levar esta ideia para a frente caso ele entenda que o faz.


TSF –
Tendo em conta que o Ministério das Finanças confirmar que se falou da CGD com a Troika, como é que vê esse facto? Receia que esteja dado aqui o passo do ponto de partida no processo que pode levar a abertura ao capital privado?


João Lopes –
É assim, a Troika ainda não manda no país, de facto isto é quase um protetorado, mais ainda somos um país independente, ainda temos um Parlamento, ainda temos população, ainda temos fronteiras e por conseguinte, mal fora que agora a Troika viesse dizer ao que é que deve ser privado ou não. A Troika deve, nomeadamente tem gente da Europa, perguntar o que é que os seus próprios países fazem relativamente a esta questão dos banco públicos. Não venha para casa dos outros decidir o que é que deve, ou não deve fazer. A decisão tem de ser uma decisão do povo português. Como há pouco alguém dizia, o povo português é que é o primeiro acionista da CGD. Há gerações inteiras que de bancos só conhecem a CGD e só confiam na CGD, mesmo com algumas tropelias que foram feitas, mesmo com as participações no BCP, mesmo com as incorreções de crédito que foram dadas; mas apesar de tudo, ainda distinguem que a CGD é diferente de um qualquer outro banco e qualquer pessoa percebe isso.


Ouça aqui a intervenção do Presidente da Direção do STEC no Forum TSF.
http://youtu.be/RwbxdNjyIgU

 

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