Quinta-Feira, 29 de Junho de 2017

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MAIOR GREVE DE SEMPRE NO GRUPO CGD CULMINA COM CONCENTRAÇÃO JUNTO À SEDE
2012-11-03

A Greve de hoje registou uma adesão massiva, com particular incidência na Empresa leader do Grupo, a CGD, detentora de cerca de 80% do total de trabalhadores do Grupo.
 

A greve fez-se sentir em todo o universo do Grupo, muito especialmente na rede de Agências CGD, com a maioria dos balcões a encerrarem ou a funcionarem apenas para prestar informações, e outros a funcionar sem as condições mínimas de segurança, recorrendo em muitos casos, a trabalhadores com vínculo precário.
Também os serviços centrais estão a funcionar de forma reduzida e essencialmente à base de trabalhadores em regime de outsourcing.

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Trabalhadores e reformados do Grupo CGD, provenientes de norte a sul do país, concentraram-se pelas 15Horas junto à Sede da CGD em manifestação de protesto por aquele que consideram ser um «Natal Negro» e contra o Orçamento de Estado para 2013 e este Governo que está a tornar as nossas vidas insuportáveis.




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DISCURSO DO PRESIDENTE DA DIREÇÃO NA CONCENTRAÇÃO


Colegas e amigos,
 

Em nome da Direção do STEC, saúdo todos os presentes e todos os trabalhadores do Grupo Caixa que hoje estiveram em greve. Uma greve que registou uma adesão massiva, muito em especial na rede de Agências. Saudamos especialmente todos aqueles que esforçadamente se deslocaram a Lisboa para estar aqui, nesta concentração de protesto e de luta.
 

Esta concentração, pretende mostrar ao Governo, à Administração do Grupo Caixa e à opinião pública, que os trabalhadores e os reformados do Grupo financeiro público, não aceitam mais, as situações de discriminação que estão a sofrer e exigem ser tratados por igual, em relação à Administração do Grupo.
 

Se à Administração é reconhecido que, por atuar em concorrência, não pode ser penalizada, nós trabalhadores e reformados, temos toda a legitimidade para exigir o mesmo. Portugal ainda é um estado de direito e não admitimos que uns sejam tratados como filhos e outros como enteados.
 

Se até há umas semanas esta situação de discriminação já era insustentável, o conhecimento do Orçamento de Estado para 2013 fez crescer e agudizar a nossa revolta, já que as medidas que aí vêm, vão agravar brutalmente a nossa situação de duas formas - como trabalhadores do Grupo CGD e como portugueses.
 

Assim, enquanto por um lado se preparam para cortar nos nossos vencimentos e reformas, suspender as carreiras e congelar todo e qualquer beneficio em função da antiguidade, por outro, saqueiam autenticamente os nossos bolsos, com o aumento de descontos para o IRS, a alteração, sem qualquer equidade, dos seus escalões e a aplicação de uma sobretaxa fiscal de 4%. Depois aplicam-nos um aumento brutal do IMI, cortam no Subsidio de Desemprego e no pagamento do trabalho extraordinário, cortam na saúde, na educação... acabam com o pouco que já temos de Estado social.
 

É o empobrecimento acelerado, é o regresso a um passado de má memória, é uma tragédia!
 

Temos dos salários e reformas, mais baixos da União Europeia, e quando recorremos ao crédito, este é suportado no valor destas remunerações. Agora fazem-nos estes cortes... mas exigem que honremos os nossos compromissos!?
 

O fator trabalho é uma componente determinante da atividade do Grupo Caixa, já que são os seus trabalhadores que a garantem, sem estes nada funcionaria. Ora, o que verificamos é que nas contas do Grupo, os custos com o pessoal apresentam todos os anos um valor cada vez mais reduzido em comparação com os restantes custos do Grupo. Isto não é admissível!.O fator trabalho tem de ser urgentemente valorizado!
 

Temos pensões de reforma de baixo valor - uns tantos não propriamente - e descontámos ao longo de uma vida de trabalho para isso - uns tantos, não precisaram de o fazer - e agora até nessas pensões querem cortar! Em 2005, apropriaram-se do nosso Fundo de Pensões - um Fundo que tinha o dinheiro das nossas reformas, para o qual todos os meses descontamos - disseram então que todo o país era nosso credor, escreveram mesmo que esse dinheiro iria ficar à guarda da CGA, que garantia no futuro o pagamento das nossas reformas,14 meses por ano, de acordo com o montante retirado... e agora onde está esse compromisso?
 

Mas para além disto, todos sentimos que esta discriminação é ainda mais absurda, porque não somos, nem nunca fomos, despesa do Estado! Pelo contrário, ao longo de sucessivas gerações, sempre contribuímos com o resultado do nosso trabalho, invariavelmente muitos e muitos milhões, para o Orçamento do Estado. Como podemos aceitar agora esta violência?
Assim, é difícil acreditar que somos um país civilizado e que vivemos em democracia.
 

É certo, que o Tribunal Constitucional considerou inconstitucional o corte nos Subsídios de Férias e Natal, mas até hoje não nos devolveram o primeiro e não querem pagar o segundo!
 

É certo, que os recursos que entregámos nos Tribunais, ainda não estão julgados e que até lá é legítimo esperarmos que se faça justiça. Mas todos sabemos que os Tribunal são lentos e a vida está-nos a fugir todos os dias.
 

Mas esta concentração, visa também manifestar o nosso repúdio por qualquer alienação de ativos que o Governo pretenda fazer, dentro do Grupo CGD.
 

A venda da Caixa Saúde, até pelo valor de saldo que registou, é um atentado aos vultuosos investimentos aqui feitos e revestirá um enorme prejuízo para as contas do Grupo CGD.
 

A venda da Caixa Seguros, que também se anuncia, significará um grave retrocesso para a CGD, já que passaria a ser o único Banco a atuar no mercado, sem ter seguros próprios.
 

Estas vendas, só têm uma intenção - enfraquecer e descapitalizar a CGD, para atingir um objetivo final - a destruição completa do Grupo público!
 

Não o podemos permitir! Não o vamos permitir! As razões de Estado que justificaram, em 1876, a criação da CGD, são hoje em Portugal, tão ou mais vivas do que então.
 

A CGD e o seu Grupo, desempenham um papel fundamental no apoio à economia nacional e são, em simultâneo, uma garantia única de segurança para as populações.
 

O que nos finais de 2008 aconteceu com o BPN, foi um exemplo vivo do papel ímpar que a CGD e o seu grupo desempenha no sistema bancário nacional.

O Grupo CGD, não pode ser delapidado ou enfraquecido, e bem pelo contrário tem de ser reforçado e manter-se inalterável quanto à natureza pública do seu capital.
 

O país e as populações, reclamam-o!
Os seus trabalhadores e os seus reformados exigem-o!
 

Neste sentido, o STEC vai promover no próximo dia 8, uma Conferência-Debate, cujo tema é «Vender a Caixa é vender Portugal», com a qual pretendemos começar a sensibilizar a opinião pública para a importância crucial desta questão.
 

Meus amigos, a grave situação com que estamos confrontados, a tragédia que se perfila com o Orçamento de Estado para 2013 e as noticias de que o governo já tem um plano B, para cortar mais 4 mil milhões de Euros, nas áreas da Saúde, Educação e Segurança Social, só pode ter uma resposta - A luta pelo derrube deste Governo!

 

O Governo, que está a atirar o país para a miséria e a conduzir a um descalabro social sem precedentes, tem de ser travado nesta sua política irresponsável, de fazer pagar aqueles que menos têm, os desvarios de uma governação que alienou, vendeu e destruiu a produção nacional e nos colocou reféns de uma divida, de que nem sequer sabemos o valor, de que não conhecemos a origem e de que até desconhecemos quem são os credores.
 

Temos direito à vida e não aceitamos um governo e uma política que nos conduz ao abismo!
 

Hoje fizemos greve e estamos aqui nesta concentração de protesto e luta!
 

No dia14, estaremos com a greve geral! Uma greve geral que irá ocorrer também noutros países do Sul da Europa. No dia 14, os trabalhadores portugueses, de Espanha, da Grécia, de Chipre e de Malta, vão estar simultaneamente em luta.
 

Esta luta tem de ser alargada mais e mais! Todos devemos participar em todas as ações e iniciativas que tenham como objetivo a luta contra esta política, a luta contra este governo.
 

Todos temos de contribuir para uma solução alternativa a esta política de desastre nacional!
 

Porque há alternativas!
Ou nós pomos fim a este governo, ou é este governo que vai pôr fim à nossa vida!
Vivam os trabalhadores e reformados do Grupo CGD
Vivam os trabalhadores portugueses
 

Viva Portugal
 

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