Quinta-Feira, 19 de Outubro de 2017

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INTERVENÇÃO DO STEC NO XIII CONGRESSO DA CGTP-IN
2016-03-01

O STEC participou como convidado (dada a sua condição de sindicato não filiado) no XIII Congresso da CGTP – Intersindical Nacional.
 

Neste Congresso foram aprovados o Programa de Ação e a Carta Reivindicativa, importantes orientações para levar à prática entre congressos, e foi também eleito o Conselho Nacional, órgão deliberativo e o mais importante da central onde se encontram representados os sindicatos filiados e não filiados na CGTP. O STEC conta com um elemento da sua Direção naquele órgão agora eleito.

 
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Aqui deixamos a transcrição das palavras proferidas por Joana Rodrigues em nome do STEC:

 


 

Camaradas e Amigos

 

Em nome do STEC – Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo Caixa Geral de Depósitos, saúdo a CGTP, a grande referência sindical dos trabalhadores portugueses, e todos os Delegados a este XIII Congresso.

 

Venho falar-vos da realidade do maior grupo financeiro nacional – o Grupo CGD. Um grupo financeiro de capital público, que apesar de ser hoje mais reduzido, pela  obsessão privatizadora do anterior governo de direita, mantém ainda presença determinante e imprescindível em vários sectores de atividade.

 

A primeira questão que aqui queremos vincar é precisamente a importância da defesa da manutenção deste Grupo na esfera do capital público. Os crescentes casos de insolvência criminosa com que a gestão privada da Banca nos tem brindado, só têm demonstrado uma evidência - os propagandeados méritos dos gestores privados, não passam de um embuste para captar dinheiro aos incautos.

 

Os lesados do BES, são o último exemplo de um enorme cortejo de espoliados que começou no BPN e que já passou pelo BPP e pelo Banif, numa espiral de “contos do vigário” que, tudo parece indicar, ainda não terá chegado ao fim.

Mas há que ter consciência de que para além desses lesados, há mais lesados, os que são intimados a pagar prejuízos a que são alheios, os mesmos de sempre – nós todos!

 

Dados do Banco de Portugal, dizem que 22% do crédito concedido pela Banca a sociedades não financeiras, é crédito sem garantias! O mesmo acontecendo com 46% do crédito ao consumo! Dados que nos dão bem a noção da dimensão e gravidade deste problema e da gestão bancária que lhe está associada.

 

Aliás quanto a isto, é oportuno relembrar aqui um pensamento que a cada dia que passa, mais pertinente se torna – o dinheiro é um bem demasiado importante para ser entregue à gestão dos privados.

 

O controlo público de um forte sector bancário, de que a CGD seria o seu pilar principal, é uma questão fulcral para a segurança dos clientes e contribuintes.

 

Ora, numa altura em que as forças de direita perderam o poder e se mostram  mais inseguras e desesperadas, estão criadas condições para lhes ser retirado o controlo e influência de áreas estratégicas da economia, como a Banca.

 

Assim, não é admissível que gestores notoriamente identificados com a direita, tanto no pensamento como na ação, possam continuar, ou possam vir a integrar órgãos de gestão do Sector Empresarial do Estado, como os do Grupo CGD.

 

Mas esta perspetiva, não pode justificar quaisquer decisões aventureiras, como eventuais fusões que envolvam a CGD. Os custos obscenos que o BPN teve para a CGD, não estão resolvidos e uma qualquer fusão, por melhores intenções que tivesse, só conduziria a uma ideia figurativa bem conhecida - a criança ser atirada à rua com a água do banho. A CGD afundar-se-ia.

 

O sector bancário  tem sido particularmente afetado pela crise, sendo que esta é também fruto de muita gestão danosa privada e do seu controlo pelo capital estrangeiro. A solução, do governo e dos banqueiros, tem sido a de transferirem  para os trabalhadores bancários tais custos, nomeadamente pela brutal redução de postos de trabalho (entre 2010 e 2015 – menos 6 800 ). No Grupo CGD, foi ainda pior, congelamento de carreiras, retirada de direitos e cortes salariais.

 

Outras questões que nos parece oportuno trazer a este Congresso, são o modelo de organização sindical e a contratação.

 

É hoje claro, a nosso ver, que a grande maioria dos trabalhadores portugueses não está sindicalizada e que esse número tem mesmo vindo a aumentar. O facto de nos últimos anos terem sido encerradas milhares de Empresas e extintos centenas de milhar de postos de trabalho, em resultado da política de destruição do anterior governo, explicará alguma coisa, mas não explica tudo.

 

O Sindicato que representamos, o STEC, tem ainda poucos anos de existência e por conseguinte a validade da sua experiência pode suscitar algumas dúvidas, mas de uma coisa estamos convictos – só um sindicalismo de proximidade e com uma grande interação com os trabalhadores, os seus problemas e anseios, pode captar o interesse destes e fazê-los aderir ao Sindicato.

 

Ora, quando a percentagem de sindicalização, no universo de trabalhadores que  representamos, atinge 54% dos trabalhadores e destes cerca de 75% são filiados do STEC, o que corresponde a 41% do número total de trabalhadores… isto pode não dizer tudo, mas tem de significar alguma coisa.

 
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Quanto à contratação e a um dos seus principais problemas – a caducidade – queremos deixar também aqui uma mensagem e uma informação.  

 

Impedido durante os 4 anos de intervenção da troika, de negociar a revisão dos seus acordos contratuais, o STEC apresentou à CGD em Outubro de 2014 uma proposta de revisão do Acordo de Empresa em vigor desde 2010.

 

Esse processo negocial culminou em 2015, com a assinatura de um novo A.E., já publicado oficialmente no Boletim de Trabalho e Emprego. Um A.E. em que foi possível assegurar os direitos existentes, melhorar o clausulado em importantes matérias de âmbito social e resolver o problema da caducidade. 

 

O STEC está agora a iniciar um processo de negociação coletiva com diversas Empresas do Grupo CGD.

 

A contratação coletiva tem sido a nossa prioridade!

 

A luta por melhores salários e o descongelamento das carreiras é a nossa prioridade num futuro próximo, a par da defesa intransigente do Grupo CGD, 100% público e ao serviço do país. 

 
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VIVA O XIII CONGRESSO DA CGTP

 

VIVAM OS TRABALHADORES PORTUGUESES.

 

 

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