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O QUE OS GRANDES BANCOS DE WALL STREET PREVEEM PARA 2019
2019-01-02
NEGÓCIOS ONLINE
Bloomberg
02 de janeiro de 2019 às 19:54

Os maiores bancos de investimento e gestores de ativos dizem o que esperar de 2019. Não há unanimidade, mas há consenso sobre a elevada incerteza, o abrandamento económico e um crescimento menor dos lucros das empresas. Saiba o que antecipam estas instituições.
 
 
Bank of America Merril Lynch: Prevê máximos do S&P500 e aposta em dinheiro
O mercado "urso bebé" em Wall Street ainda não terminou, salienta a casa de investimento. O Bank of America salienta que em 2019 "o dinheiro é o rei", com o risco em torno das ações e obrigações a manter-se. O banco de investimento antevê uma quebra no crescimento dos lucros das empresas um pouco por todo o mundo, cujos resultados deverão aumentar 5%, contra os 15% observados em 2018.
 
O índice S&P500 deverá recuperar e atingir mesmo um novo máximo, superando os 3.000 pontos. Ainda que no final do ano deva aliviar para um valor em torno dos 2.900 pontos.
 
O Bank of America prevê que este ano o dólar enfraqueça frente ao euro e ao iene, ainda que o desempenho da moeda americana dependa muito da evolução da guerra comercial entre EUA e China.
 
No que respeita ao petróleo, esta casa de investimento estima que o Brent – petróleo negociado em Londres e referência para Portugal – se situe em torno dos 70 dólares por barril.
 
 
Barclays: Volatilidade e retorno baixo deve marcar 2019
"2019 deve ser um ano de retornos totais de um digito baixo na maior parte dos ativos financeiros e de uma grande volatilidade", prevê o Barclays. No que ao crescimento económico diz respeito, o banco de investimento prevê que a Zona Euro estabilize em torno dos níveis atuais, "não enfraquecendo mais".
 
"Podem os índices bolsistas europeus eliminar a distância dos EUA, depois das ações americanas terem superado massivamente os títulos europeus em 2018? Tal inversão é improvável, devido às diferenças de crescimento, aos riscos políticos na Europa, e à correlação entre as ações europeias e dos EUA", o que não deverá permitir que a Europa suba quando as bolsas americanas caírem. "Cautela" é a palavra-chave para os investimentos nos mercados emergentes.
 
 
BlackRock afasta-se das ações europeias
"Prevemos um abrandamento do crescimento mundial e dos resultados das empresas em 2019." Apesar de considerar que o risco de uma recessão nos EUA, em 2019, é "baixo", o BlackRock não está otimista, em especial devido à incerteza em torno da guerra comercial e das tensões comerciais entre os EUA e vários países.

"Estamos preocupados com os riscos políticos na Europa no médio prazo", numa altura em que se prevê que o crescimento económico cresça a um ritmo inferior.
 
"Afastamo-nos de regiões com um potencial de subida limitado e um risco elevado, tal como as ações europeias", realça o BlackRock.
 
 
BNP Paribas não exclui cenário de “estarmos a entrar num ‘bear market’ em 2019”
O contexto económico e político mundial deverá ditar uma fuga ao risco "e um período de recalibragem" nos mercados. Apesar desta casa de investimento considerar que há ativos com potencial, "não eliminam a possibilidade de estarmos a entrar num ‘bear market’ em 2019".
 
"Esperamos que o foco mude de juros mais elevados para preocupações em torno de um crescimento mais lento, redução de margens e resultados mais fracos. Pensamos que as avaliações caras do mercado vão ser desafiadas." E numa altura em que o otimismo não é o forte do mercado, o BNP Paribas admite que "podemos ver finalmente desempenhos melhores na Europa, onde as avaliações estão menos esticadas."
 
O banco de investimento francês prevê que o petróleo recupere e que o Brent atinja os 82 dólares por barril no segundo trimestre do ano.
 
 
Credit Suisse: Tecnológicas e saúde são os alvos a ter em conta
O contexto deverá ser "mais calmo" na Europa, com o banco de investimento a prever que a saída do Reino Unido da União Europeia "não deverá fazer muito mal a nenhum dos dois de for gerido de forma sabiamente." No que à Alemanha diz respeito, o Credit Suisse acredita que as lutas políticas internas não deverão causar instabilidade, ao mesmo tempo que "a influência dos partidos de extremos permanece limitada".
 
"Quando olhamos para 2019, o nosso cenário base sugere que as ações devem continuar a ter um peso superior" a outros ativos nas carteiras de investimento, salienta o banco de investimento que considera que a valorização das ações deve continuar a ser superior ao de outros ativos. "Na Europa, as ações financeiras devem beneficiar do aumento das ‘yields’, enquanto nos EUA, o estreitamento da curva de rendimentos deverá pesar no setor", adianta o banco de investimento.
 
Por setores, o Credit Suisse considera que a tecnologia e os cuidados de saúde serão os ativos responsáveis pelo crescimento ou pelo risco. "Uma questão importante para os investidores é se o crescimento do setor tecnológico vai permanecer forte", já no setor da saúde, "os investidores estão de olho na terapia genética e noutros tratamentos inovadores".
 
 
JPMorgan aposta nos emergentes
O banco de investimento assume como cenário base mais tarifas comerciais após o final das tréguas anunciadas entre China e EUA. "As projeções de retorno de 2019 mostram uma melhoria face a 2018, mas ainda assim abaixo da média", salvaguarda o JPMorgan, que considera ser "demasiado cedo" para trocar as ações por obrigações.
 
"A recessão dos EUA/mundial não é inevitável no próximo ano ou dois anos, nem há apenas tendência de queda para as ações", acrescenta.
 
O JPMorgan recomenda a "compra" de ações dos mercados emergentes. "Os mercados emergentes estão atualmente a negociar ainda mais baratos do que no ponto mais baixo, em 2015-2016, quando a China parecia estar pior do que agora."
 
O banco de investimento prevê que o Brent negoceie entre os 55 e 75 dólares por barril.  
 
 
Macquarie: “O mercado está demasiado pessimista”
"O mercado está novamente focado nas nuvens negras no horizonte, com muitos investidores convencidos de que o crescimento económico mundial está a caminho de abrandar fortemente. Apesar de concordarmos que há riscos – que incluem incertezas como o impacto da guerra comercial, políticas europeias, as taxas de juro nos EUA, bem como preocupações em torno da China – continuamos a sentir que o mercado está demasiado pessimista, com o crescimento da economia na verdade a fortalecer-se", salienta o banco de investimento.
 
"O nosso otimismo sobre o crescimento mundial não significa que 2019 não vai ser um outro ano desafiante para os investidores, com a volatilidade sentida nos últimos meses a manter-se."
 
A Macquarie estima que as ações continuem a ter um comportamento instável na maior parte do ano, "mas que terminem 2019 com uma subida modesta".
 
 
Morgan Stanley: 2019 vai ser o ponto de viragem
"2019 vai ser o ponto de viragem em termos macro… o mundo continua a enfrentar um crescimento mais lento, inflação mais elevada e aperto na política monetária. Mas 2019 deve ser o ponto de viragem nesta narrativa, especialmente no crescimento dos EUA", salienta.
 
Este banco de investimento está otimista em relação aos mercados emergentes. Quanto ao S&P500 a previsão é que no final do ano o índice esteja nos 2.750 pontos.
 
O petróleo deverá atingir os 80 dólares por barril no final do ano.
 
 
Oppenheimer: Retornos mais modestos em 2019
"A expansão mundial continua, mas os EUA vão abrandar. Os efeitos dos estímulos nos EUA vão desvanecer-se e o aperto da política monetária também vai aliviar. O crescimento da China deverá estabilizar em meados de 2019, dando apoio aos mercados emergentes e Europa. Os retorno deverão ser mais modestos na maioria das classes de ativos", salienta a Oppenheimer.
Ainda assim, esta casa de investimento prevê que o desempenho das ações supere o das obrigações "outra vez".
 
 
Pimco: Cautela é a palavra de ordem
"Antecipamos um abrandamento mundial sincronizado em 2019. Posicionamo-nos cautelosamente mas antecipamos oportunidades", realça a Pimco.
 
"Acreditamos que o mercado de ações vai continuar volátil, favorecendo um posicionamento cauteloso", sublinha o banco de investimento. "Continuamos a favorecer os mercados de ações dos EUA face ao resto do mundo", acrescenta.
 
A Pimco alerta que, "a julgar pelas previsões macroeconómicas, ainda estamos a alguma distância da próxima recessão", mas o atual ambiente do mercado "torna claro que uma recessão não é um pré-requisito para uma turbulência nos mercados".
 
 
Société Générale: Retornos limitados em 2019
"Não vemos razão para atualizar o risco mundial agora, e acreditamos que o melhor momento para se posicionar para a próxima recessão nos EUA deve tornar-se mais claro na parte final de 2019", salienta o banco de investimento francês.
 
"Vemos ganhos de capital limitados em 2019, devido a uma combinação de ventos contrários: a maioria dos ativos financeiros continua cara, com a exceção do Tesouro e da inflação, e alguns ativos emergentes (especialmente China); a Fed vai continuar a aumentar o preço do dinheiro e a retirar liquidez ao mesmo tempo que a dívida nunca foi tão elevada; e nesta altura, com o presidente Trump a perder a maioria no Câmara dos Representantes, a probabilidade de haver um novo impulso orçamental é extremamente baixa", sublinha o Société Générale.

"Vemos potencial de queda para os índices bolsistas mundiais nos próximos 12 meses, com os desempenhos fracos provavelmente concentrados na segunda metade do ano, com os investidores a descontarem a próxima recessão nos EUA", adianta a mesma instituição.
 
No que se refere à Zona Euro, o Société Générale antecipa uma recuperação da economia. Ainda assim vemos "um potencial de valorização limitado", uma vez que se prevê que as empresas reduzam as perspetivas de resultados. Os investidores deverão focar-se, no segundo trimestre, no Banco Central Europeu (BCE) que, na perspetiva deste banco de investimento deverá aumentar os juros pela primeira vez em Setembro.
 
 
UBS recomenda diversificar os investimentos
"A volatilidade aumentou e as quedas acentuadas tornaram-se mais normais. Os investidores devem preparar-se para mais do mesmo em 2019, já que os mercados começaram a experimentar e a antecipar um fim do ciclo", sublinhou o UBS.
 
O banco recomenda que os investidores sejam "seletivos", num período em que o crescimento dos lucros das cotadas deverá travar. E "diversificar" os seus investimentos. "Não há uma região que ofereça um caso verdadeiramente único. Favorecemos a diversificação" dos investimentos, o que "também ajuda a mitigar a volatilidade", salienta.
 
O banco suíço considera que "as melhores oportunidades estão nos setores de energia e utilities, nas ações com dividendos de qualidade e sustentáveis, e nos fundos imobiliários da Suíça".



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Reuters