Segunda-Feira, 27 de Maio de 2019

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JANTAR COMEMORATIVO DO 25 ABRIL EM LISBOA
2019-05-03
O STEC, em conjunto com a Comissão de Trabalhadores da CGD, realizou em Lisboa um jantar de convívio para celebrar os 45 anos do 25 de abril de 1974 que contou com a presença de aproximadamente 100 pessoas.
 
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O Jantar realizou-se na Casa do Alentejo e foi animado pelo Grupo Pimparralha, terminando com a “Grândola” cantada em conjunto por todos e com a participação especial de Tiago Serrano.
 
As intervenções estiveram a cargo de Mauro Barbosa pela Direção do STEC e Isabel Rodrigues pela Comissão de Trabalhadores da CGD. Em representação da Associação 25 de abril convidada, esteve o Comandante, Fernando de Almeida Cavaco que usou igualmente da palavra.  
 
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Intervenção jantar 25 abril STEC - Mauro Barbosa:

Minhas amigas e meus amigos,

Camaradas,

Em nome da direção do STEC saúdo todos os presentes e por vosso intermédio todos os trabalhadores e ex-trabalhadores da CGD, bem como todos aqueles que não estando aqui hoje presentes, celebram e sentem esta data, ímpar da nossa história.

Mais uma vez temos a honra de ter ao nosso lado a comemorar esta data, um militar de abril, um daqueles homens que há 45 anos nos deram a liberdade e a democracia. O Comandante, Fernando De Almeida Cavaco, que aqui está em representação da Associação 25 abril e a quem saudamos calorosamente.

Comemoramos hoje aqui, o 25 de Abril! Uma data em que o povo português festeja tudo aquilo que lhe está associado – a liberdade, o derrube do fascismo, a conquista de múltiplos direitos, a instauração da democracia!
 
O 25 de Abril que permitiu pôr termo a 13 anos de guerra nas colónias portuguesas e acabar com o regime ditatorial que durante 48 anos subjugou e oprimiu Portugal.

O significado e a importância de abril na nossa vida é tal, que temos todos a enorme responsabilidade de o transmitir às gerações que já nasceram em liberdade, às gerações que não conheceram o fascismo e que pensam ilusoriamente que tudo o que conhecem é um dado adquirido. As gerações que desconhecem o sofrimento de anos e anos de luta, as perseguições, as prisões, as torturas, as mortes.
 
Vivemos hoje um tempo marcado por movimentos populistas e extremistas. Um tempo em que muitas vezes assistimos à negação de abril e ao branqueamento dos anos negros da opressão. Um tempo em que até se procura apagar da história, que em Portugal se viveu uma ditadura fascista e que foi há 45 anos que a aliança povo/MFA heroicamente a derrubou e venceu.

Por tudo isto, não nos podemos iludir. Abril e os seus valores, têm de continuar a ser afirmados e praticados todos os dias. A história prova-nos que nada está garantido, que nada é seguro e que temos um papel a cumprir em defesa das suas conquistas!

A situação política e social que se vive hoje em Portugal é sem dúvida melhor que há quatro anos, o que só foi possível com a nova correlação de forças na Assembleia da República, que permitiu reverter a austeridade cega imposta pela União Europeia e que os governos de direita, subservientemente cumpriram e alargaram.

Fruto desta realidade política e dos consensos alcançados, têm-se conseguido alguns avanços importantes, embora ainda tímidos. Já se começaram a recuperar salários e a valorizar as reformas e pensões. Já se acabou com o pagamento do subsídio de férias em duodécimos e se repuseram as 35 horas semanais na Administração Pública.
 
Já se iniciou o desagravamento da carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho e se tomou uma decisão histórica e de forte impacto social - a introdução do passe social único.

Mas ainda há muito por fazer. O combate ao emprego precário e às desigualdades sociais. A defesa do serviço público e das funções sociais do Estado. É fundamental uma política claramente comprometida com aquilo que são os valores de abril e que responda aos problemas estruturais que afetam povo e o País.

Na CGD, vive-se um momento de grande instabilidade social, com a denúncia do Acordo de Empresa, o fecho de balcões, os programas de pré-reforma e rescisão. A somar a isto, temos ainda uma gestão que segue a cartilha do privado, que discrimina a maioria dos trabalhadores apostando na retirada de direitos e nos baixos salários e que, pasme-se, até procura não cumprir as decisões dos Tribunais, refugiando-se em subterfúgios para dilatar prazos e ganhar tempo, já não se preocupando, aqui, em gastar abundantemente o dinheiro da CGD, o dinheiro público, e recorrer aos mais dispendiosos escritórios de advogados. Para quê? Para retardar o cumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça, na sequência de um processo judicial que o STEC, que apenas o STEC, levou a Tribunal, face à abusiva alteração do pagamento do Subsídio de Almoço, que esta Administração impôs em 2017.

Mas esta mesma gestão que apelida os trabalhadores da Caixa de “privilegiados” e que alega razões de desvantagem concorrencial e de sustentabilidade financeira para a denúncia do Acordo de Empresa, não abdica em momento algum dos seus vencimentos milionários.
 
A CGD é e tem de continuar a ser um banco 100% público, cumprindo o seu desígnio social, tanto no financiamento à economia e às famílias, como na ligação às populações, prestando-lhe o serviço bancário que a Banca privada rejeita. Um banco público ao serviço do povo e do país e não um banco ao serviço de interesses! Ora, todos infelizmente sabemos hoje, que foram esses interesses que conduziram a Caixa a acumular prejuízos de milhares de milhões de euros com empréstimos ruinosos, concedidos de forma leviana e eventualmente até, criminosa.

E aqui, a questão que se impõe saber é apenas uma - os verdadeiros culpados serão alguma vez punidos?!

Temos o direito de perguntar isto, porque os trabalhadores e os aposentados da Caixa, esses que nada tiveram a ver com a gestão danosa e fraudulenta praticada, já foram e continuam a ser os grandes penalizados!

É uma situação inadmissível! É uma situação intolerável! E aqui, voltamos aquilo que o 25 de Abril nos mostrou – É preciso não baixar os braços! É preciso denunciar! É preciso lutar!

Viva o 25 de Abril!

Viva a luta dos trabalhadores da Caixa!   

Viva o 1º de Maio!

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