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RESULTADOS DE 2019 DA BANCA: CGD E BCP AQUÉM NA RENDIBILIDADE
2020-03-07
EXPRESSO
Por: Diogo Cavaleiro e Isabel Vicente
 
 
Indicador que mede retorno dos acionistas continua abaixo da meta do governador. Santander e BPI são exceção
 
Há quatro anos, meses depois do início do segundo mandato à frente do Banco de Portugal, Carlos Costa deu uma entrevista ao Expresso em que assumiu que, se fosse administrador ou acionista de um banco, teria duas metas para alcançar: regressar a resultados positivos e a uma rendibilidade dos capitais acima dos 10%. Os maiores bancos foram conseguindo voltar aos lucros. Contudo, agora que o segundo mandato do governador se aproxima do fim, continua por fazer um trabalho: a melhoria da rendibilidade dos bancos, de forma a justificar o investimento feito pelos seus acionistas. Há uma exceção, o Santander Portugal, que tem uma rendibilidade de 12,7% e o BPI cuja retorno de capitais próprios é de 10,1%.
 
A CGD e o BCP atingiram em 2019 os melhores resultados em 12 anos, e o Santander alcançou o melhor lucro de sempre. Já o BPI obteve ganhos, mas menores do que em 2018. Só o Novo Banco, entre os cinco maiores banco, é o que ainda tem prejuízos apesar das capitalizações repetidas, por parte de um dos acionistas, o Fundo de Resolução. Ou seja, desde a entrevista do governador, os bancos já deixaram os prejuízos para trás e têm até conseguido aumentar os resultados líquidos — aliás, até já pagam dividendos aos acionistas. É o caso do banco público, do BCP, do Santander e do BPI. Contudo, os dois maiores bancos ainda não remuneram os acionistas ao nível que Carlos Costa considerou adequado para que os bancos não fossem alvo de tentativas de aquisição hostis (10%). O ROE é o indicador que permite aferir a capacidade de uma instituição remunerar o capital investido pelos acionistas.
 
Os bancos já deixaram os prejuízos para trás e até já pagam dividendos (...), falta alcançar uma rendibilidade acima dos 10%
 
Quer a CGD, liderada por Paulo Macedo, quer o BCP, presidido por Miguel Maya, têm um objetivo delineado para 2021: alcançar uma rendibilidade dos seus capitais próprios (ROE, na sigla inglesa) em torno dos 10%. O banco público melhorou o ROE de 6,6% em 2018 para 8,1% no ano passado, uma subida à qual está subjacente o aumento dos lucros. A Caixa irá também, pelo segundo ano consecutivo desde a injeção de capital, distribuir dividendos ao Estado — €300 milhões relativos a 2019. Já o BCP registou este ano uma quebra do indicador, ainda que apenas ligeiramente (de 5,2% para 5,1%), penalizado pela aquisição do Eurobank, na Polónia. Maya prometeu uma proposta de dividendos com “grande prudência”.
 
O Santander Portugal e o BPI são os únicos que, já em 2018, partiam de níveis de rentabilidade a dois dígitos. No Santander o ROE melhorou de 12,4% para 12,7% em 2019. O banco vai distribuir dividendos, mas ainda não se sabe o montante. Em 2018, deu ao grupo Santander €495 milhões, quase a totalidade dos lucros obtidos naquele ano.
 
Por sua vez, no BPI o ROE situou-se nos 10,1%, traduzindo uma quebra da rentabilidade obtida em 2018 que foi de 16%. Mas já fez saber que, apesar do decréscimo de lucros, irá distribuir um dividendo de €117 milhões ao seu acionista, o espanhol CaixaBank.
 
Os acionistas do Novo Banco não tiram retorno. O banco continua nos prejuízos e vai precisar de €1037 milhões do acionista Fundo de Resolução — não cumpre ainda nenhum dos desígnios de Carlos Costa.


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Miguel Maya e Paulo Macedo, presidentes do BCP e da CGD, respetivamente, atingiram em 2019 os melhores resultados desde 2007. Só o Novo Banco continua no vermelho

 

Fotografia: Tiago Miranda e Luís Barra