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COVID-19. CGD ADIA E CORTA NOS PRÉMIOS A GESTORES E TRABALHADORES
2020-04-22
EXPRESSO
Diogo Cavaleiro
Isabel Vicente
22.04.2020 às 12h03
 

Chamado ao Parlamento, Paulo Macedo diz que abdicará do prémio que lhe for atribuído este ano. Os trabalhadores também vão sentir redução e adiamento dos prémios. Em relação aos apoios à economia, o banqueiro frisa que a moratória para crédito à habitação precisa de mais tempo para lá dos seis meses legalmente previstos
 
 A Caixa Geral de Depósitos não vai pagar agora os dividendos ao Estado por conta dos resultados do ano passado, mas essa é uma decisão que poderá vir a ser revertida, dependendo da evolução da pandemia. Em relação aos bónus aos administradores e aos prémios aos trabalhadores, não haverá pagamento imediato, mas um adiamento e uma redução no futuro.
 
Na audição da comissão de Orçamento e Finanças desta quarta-feira, 22 de abril, Paulo Macedo revelou que na próxima assembleia-geral do banco não será decidida a distribuição de bónus aos administradores executivos. A intenção é “que possa haver uma postecipação e uma redução”, ou seja, um diferimento e diminuição dos valores a pagar no futuro.
 
O mesmo acontecerá com os bónus a trabalhadores - terão os prémios pagos mais tarde e em valores mais diminutos.
 
O líder do banco público sublinhou ainda que, no seu caso, a decisão é outra. “No meu caso, eu abdicarei do valor do prémio integral”, revelou, mas com um acrescento: “Não vejo preocupação por o chairman nunca ter recebido um euro”. Rui Vilar não recebe remuneração porque essa foi uma opção própria por si tomada.
 
 
Dividendos podem ser pagos mais para a frente
 
Repetindo algo que já tinha dito, o presidente executivo do banco, Paulo Macedo, afirmou que na assembleia-geral anual, que tem de realizar-se até junho, “não vai haver qualquer proposta” de distribuição de dividendos ao acionista. Em causa estão 300 milhões de euros ao Estado.
 
Contudo, isto não quer dizer que não venha a acontecer mais perto do final do ano, segundo Macedo. “O assunto não fica fechado, porque o acionista pode fazer assembleia para este assunto, dependendo da evolução”, concretizou o responsável da CGD, na comissão de Orçamento e Finanças.
 
Os rácios de capital do banco público estão num nível “muito sustentável”, considerou Paulo Macedo, mas é preciso perceber qual será a dimensão das novas imparidades para cobrir o risco dos créditos concedidos.
 
 
Moratórias precisam de mais tempo
 
Aliás, as grandes imparidades deverão chegar no final deste ano. “Se há moratórias, as grandes imparidades só vão ser registadas no quarto trimestre. Até lá, os balanços estão mais ou menos imunizados”, declarou Paulo Macedo, acrescentando que, durante o período das moratórias (em que há suspensão do pagamento de prestações de crédito e/ou juros), não se sentirão imparidades relevantes, a não ser “pelas empresas que fechem entretanto”.
 
É por este motivo que Paulo Macedo considera que o prazo de seis meses para a moratória legal, a do crédito à habitação, não é suficiente – tal como o BPI também já tinha dito. “Não é em seis meses que a situação se vai resolver”, disse o líder da CGD.
 
Contudo, para já, ainda não é possível antecipar se esse prazo poderá mesmo vir a ser estendido: “Precisamos de ver como é que as autoridades vão aceitar isto”.
 
Paulo Macedo frisou que as famílias já deram entrada com 20 mil pedidos, em operações que totalizam 1,4 mil milhões de euros. Nas empresas, são 9.600 pedidos de adesão à moratória legal, num total de perto de mil milhões de euros. Além disso, há ainda as moratórias da CGD, que o CEO não quantificou.

 
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Fotografia: Credito foto