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SEM O ESTADO, A RECESSÃO SERÁ MAIS PROLONGADA
2020-09-29
JORNAL DE NEGÓCIOS
Filipe S. Fernandes
29 de Setembro de 2020 às 16:00
 
 
Neste novo ciclo económico em que o papel do Estado deve ser mais interventivo na economia, a CGD “está apta, no que respeita ao financiamento das empresas, sejam elas micro, pequenas, médias ou grandes empresas. Tem um capital robusto, tem liquidez suficiente e tem vontade”, diz Paulo Macedo.
 
"Ao longo dos últimos anos, como todos sabem, a Caixa e os seus trabalhadores esforçaram-se para dobrar o nosso Bojador, alterámos estruturalmente o banco em termos de risco, fizemos o turnaround do banco com quatro anos de resultados positivos, após seis anos de resultados negativos, e, no final deste ano, devemos absorver os prejuízos de 2016, 1.859 milhões de euros", referiu Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos no Encontro Fora da Caixa que se realizou na Culturgest. "Esta fase está quase terminada, com a ajuda de todos na Caixa Geral de Depósitos, mas conscientes também da ajuda que tivemos fora dela. Quero-vos dizer que estamos hoje mais bem preparados para esta nova crise do que estávamos para a anterior, embora esta crise possa ter uma outra dimensão", disse Paulo Macedo.

Sublinhou que a Caixa Geral de Depósitos se move num contexto particularmente desafiador de pandemia, aliado às mais baixas taxas de juro de sempre, que impactam "fortemente em baixa a rentabilidade dos capitais próprios com margens de 1 a 2 %, contra margens do gel desinfetante de 15% e de outros produtos e que chegam a atingir alguns milhares de consumidores", mas a CGD está "consciente do seu papel em termos de banco de capitais públicos".
 
 
O papel do Estado
 
O tema do encontro era o Caminho da Recuperação, que contou com a presença de António Costa Silva, autor da "Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica 2020-2030". Sobre este documento, Paulo Macedo salientou que se estava perante "um binómio de pensamento e de ação" e que procura formular uma visão para a estratégia de recuperação económica decorrente da crise provocada pelo coronavírus, mas que também promete tentar ver mais além.

Nesse documento o autor aborda, entre outros temas, o financiamento à economia portuguesa, no médio longo prazo e diz que o mesmo é decisivo para o futuro. Tem ainda menções específicas e análises específicas relativas aos projetos estruturantes que é necessário fazer para a próxima década, e prevê a necessidade de alterar o paradigma de capitalização das empresas portuguesas para não acrescentar apenas dívida sobre dívida, o que para Paulo Macedo é "um dos maiores desafios que há relativamente às empresas a par do conhecimento e das capacidades competitivas".
 
 
A CGD afirma-se e está apta no que respeita ao financiamento das empresas Tem um capital robusto, liquidez e vontade. 
Paulo Macedo
Presidente executivo da CGD
 
 
O presidente da Caixa Geral de Depósitos citou o documento de António Costa Silva, em que se diz que "neste novo ciclo económico o papel do Estado deve ser mais interventivo na economia para impedir o colapso das empresas relevantes, para investir nos serviços públicos, para darem maior segurança ao mercado de trabalho e para promover uma melhor distribuição da riqueza e reduzir desigualdades", para garantir que "a Caixa se afirma e está apta, no que respeita ao financiamento das empresas sejam elas micro, pequenas, médias ou grandes empresas. Tem um capital robusto, tem liquidez suficiente e tem vontade."
 
 
Os desafios da banca

Paulo Macedo também partilha da opinião de que "o equilíbrio entre o mercado sempre que possível e o Estado sempre que necessário, como premissa a adotar". Acentuou que se o papel do Estado não for assumido, "teremos uma recessão mais prolongada, mas têm de ser evitados os desperdícios do passado, as perdas do passado ou, mais recentemente, os paternalismos de quem quer retribuir sem criar riqueza. E só permitirá e provocará a fuga dos mais capazes e também uma maior passividade dos empreendedores, e isto apesar de passividade e empreendedorismo ser uma antítese, em si mesmo, mas corremos claramente um perigo quando o Estado tende a asfixiar a sociedade."
 
 
Há um momento em que temos, de facto, de tomar caminhos, pensar, decidir, meditar e, obviamente, agir. 
Paulo Macedo
Presidente executivo da CGD
 
 
Concorda Paulo Macedo com a análise que a "Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica 2020-2030" faz aos constrangimentos do sistema bancário como a baixa rentabilidade dos capitais próprios, o montante ainda elevado do crédito malparado, a dependência do crédito a micro e pequenas empresas que têm muitas fragilidades, a necessidade de melhorar os seus rácios de capital, as restrições existentes na dedução dos prejuízos fiscais acumulados.

Invocou o exemplo da ponte das Honduras, que foi feita sobre um rio que entretanto mudou de curso deixando a ponte a cruzar uma zona sem água, para defender a ideia de que a realidade é "mais fugaz e imprevisível", o que obriga "a mudar sempre que necessário" e "tentando prever para que lado o rio vai mudar o seu curso, tentamos pensar e construir a estrada certa e sobretudo tentamos na Caixa Geral de Depósitos ter esteios, em lugares de maior certeza, num mundo mais incerto, tentemos pois pensar e agir, sermos atores e autores de um país mais rico mas também necessariamente mais justo".
 
 
 
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Paulo Macedo diz que houve uma alteração estrutural na CGD em termos de risco.
 
Fotografia: Pedro Catarino