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INDIGNAÇÃO CONTRA A AUSTERIDADE LEVA CENTENAS DE MILHARES DE PORTUGUESES PARA A RUA
2012-09-15
JORNAL DE NOTÍCIAS

Luís Pedro Carvalho, Catarina Cruz, Cristina Marques, Nuno Cerqueira, Teixeira Correia, Zulay Costa, Glória Lopes, Miguel Gonçalves, Delfim Machado, Patrícia Posse, Nuno Ropio, Manuel Molinos


De Norte a Sul do País, centenas de milhares de manifestantes saíram à rua no âmbito do protesto "Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!". Em Lisboa e Aveiro viveram-se os momentos de maior tensão.


Segundo números fornecidos ao JN pela organização da manifestação no Porto, mais de 100 mil pessoas terão estado na Avenida dos Aliados a protestar contra as medidas do governo.


Os momentos mais tensos do dia viveram-se na manifestação de Lisboa - que segundo a organização juntou 500 mil pessoas -, onde a polícia fez algumas detenções, após manifestantes terem lançado tomates, garrafas e vários petardos contra os escritórios do FMI.


Os manifestantes dirigiram-se depois para a Assembleia da República onde continuaram com os protestos. Algumas grades de proteção à escadaria foram deitadas ao chão. Antes, na rua António Augusto Aguiar, que fica no trajeto entre a Praça de Espanha e o Parlamento, alguns vidros de montras foram partidos, como, por exemplo, os do balcão do Milenium BCP e da Lamborghini.

 

Nas escadarias da AR, gritando a palavra de ordem "os gatunos estão lá dentro", os manifestantes apelavam à polícia para deter deputados e governantes.


Os manifestantes chegaram a lançar mais petardos e garrafas para as escadarias do Parlamento, mas não se registaram confrontos com a polícia que fez, pelo menos, três detenções.


Pelas 00.39 horas, deste domingo, a tensão continuava latente junto à escadaria da Assembleia da República, mas os manifestantes começavam a desmobilizar.


Também em Aveiro, houve momentos dramáticos quando um homem, aparentando cerca de 20 anos, pegou fogo a si próprio e entrou a correr, em chamas, no antigo governo civil. A PSP apagou o fogo e o homem foi prontamente assisitidos pelos bombeiros. Cinco mil pessoas concentraram-se junto à estação da CP, misturando histórias pessoais e desagrado geral pelas políticas do governo e as mais recentes medidas de austeridade. O grupo seguiu pela avenida Lourenço peixinho até à câmara de Aveiro.


Em Braga, mais de sete mil pessoas gritaram para a "Troika ir embora". A marcha tomou conta do palco na avenida central. Reformados, estudantes, desempregados e empregados juntam-se em protesto desde as 15 horas deste sábado em "assembleia popular".


Já em Coimbra mais de 20 mil pessoas manifestam-se na Praça da República, usando palavras de ordem como "troikemos de governo", "este governo é nazi", Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal a nossa luta é igual". Veem-se famílias inteiras na manifestação.


Cerca de mil pessoas concentraram-se no Rossio da cidade de Viseu para demonstrar que pretendem outro rumo para o país. "Não podemos continuar calados por mais tempo. Estas manifestações mostram bem que as pessoas estão revoltadas e fartas de serem roubadas", sublinhou Américo Alves, que veio do norte do distrito para mostrar a sua indignação". O Rossio de Viseu "pintou-se" de gente, que decidiu sair à rua com os mais diversos cartazes, que tinham em Passos Coelho o seu principal visado. "Passos emigra", "Passos Rua" ou "Coelho vai para a toca" foram alguns dos recados exibidos em cartolinas, cartazes ou t-shirts, enquanto era entoada a palavra "gatuno".


Mais a Norte, em Vila Real, a manifestação reuniu novos e mais velhos para demonstrar a indignação perante as últimas medidas de austeridade anunciadas pelo Governo. De acordo com os números da Polícia de Segurança Pública, a manifestação juntou 1500 pessoas.


Em Guimarães, Bragança e Évora os protestos juntaram apenas centenas de pessoas. Em Bragança uma fonte da organização explicou "que o medo ainda impera e há muitos que temem pelos empregos, não vêm mais estão solidários".


Em Beja a manifestação junto cerca de 2000 pessoas, enquanto na cidade de Setúbal, cerca de três a quatro mil pessoas concentraram-se no Largo José Afonso e desfilaram pela Avenida Luísa Todi até à Praça do Bocage.


A manifestação de Beja teve como cenário a Praça da República e o grito de protesto foi: "Tem Avondo" (Basta), num protesto pacífico como é apanágio dos alentejanos. A contestação juntou pessoas de todas as idades, quadrantes políticos e profissões, que acima de tudo como disse o humorista Jorge Serafim "para defender a independência do Alentejo e de Portugal".


Entre os manifestantes, Carreira Marques, antigo presidente da Câmara de Beja durante mais de 30 anos, considera que só há duas formas de resolver a situação: "continuar a aceitar a imposição da União Europeia ou rutura com o FMI, como na América Latina", justificando que esta última situação pode levar "à saída da EU e do euro", mas em sua opinião "não será mais grave do que se vive atualmente" concluiu.


O antigo autarca acredita que devem ser convocadas novas eleições e para "amenizar a situação" o PS deve formar Governo, com o objetivo de "renegociar a divida ou fazer novo acordo" justificou. Carreira Marques vai mais longe e diz que são necessárias "mais ações, mais volume de protesto até um levantamento nacional", reforçou.


O protesto em Beja foi marcada pela presença de muitos professores, a maioria a trajar de negro, em sinal de luto pela falta de trabalho e o seu atirar para o desemprego.


A manifestação decorreu sob o olhar atento de três polícias da Esquadra de Investigação Criminal da PSP de Beja, trajando à civil.


Em Portimão cerca de um milhar de pessoas manifestaram-se em frente da Câmara e desfilaram depois pelas ruas da baixa da cidade até à marginal, onde quem quis tomou a palavra para dizer o que entendia e protestar contra as medidas de austeridade, como as alterações à Taxa Social Única, que disseram estar a agravar o nível de vida dos portugueses.

 

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Manifestação no Porto
foto Lisa Soares/Global Imagens