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CAIXA PODE ENGROSSAR LISTA DE EMPRESAS A PRIVATIZAR
2012-09-22
EXPRESSO

João Vieira Pereira, Ricardo Costa e Rosa Pedroso Lima
politica@expresso.impresa.pt

Venda da CGD foi discutida com o Governo na quinta avaliação do memorando.

A privatização parcial da Caixa Geral de Depósitos foi discutida entre a troika e o Ministério das Finanças durante o mais recente processo de avaliação. Ao que o Expresso apurou, o modelo estudado passa por vender 20% do capital a investidores institucionais e uma parcela igual ao público em geral, através da entrada em bolsa. Um modelo que garante em simultâneo a abertura a entidades financeiras, a captação de pequenos investidores e a manutenção do controlo do Estado.


A medida é tão delicada e polémica, que as entidades contactadas pelo Expresso recusam falar do assunto. Além do melindre político, há outros fatores de peso: a venda afetaria a estabilidade de todo o sistema financeiro num período de grande vulnerabilidade e seria feita numa altura em que a CGD vale muito menos do que já valeu e do que pode valer no futuro.

O tema foi ontem levantado em termos muito genéricos no Parlamento. O líder socialista, António José Seguro, perguntou ao primeiro-ministro se o Governo tencionava privatizar o banco estatal e aproveitou para dizer que o PS estaria sempre contra a medida. Pedro Passos Coelho respondeu que "no dia em que o Governo tiver alguma coisa para anunciar sobre a CGD, o anunciará". O chefe do Executivo recusou-se a adiantar qualquer detalhe sobre um "tema tão sensível, como o do sistema financeiro".

A privatização da Caixa, mesmo que parcial, não é pacífica. No passado o Banco de Portugal já foi consultado sobre esta hipótese mas não se conhece o teor do seu parecer. Contudo, a ideia de que nesta altura é necessário a manutenção de um banco público para garantir a estabilidade da banca nacional é defendida por vários responsáveis do sistema financeiro. Isto porque a Caixa como banco público constitui em épocas de crise um refúgio natural para particulares e empresas.



Acelerar as privatizações

A ideia da privatização da Caixa voltou a surgir em força quando, na semana passada, quer o primeiro-ministro quer o ministro das finanças disseram em entrevistas televisivas que o Governo estava a estudar novas privatizações. A Caixa não pertence à lista original de empresas a alienar, definida com a troika, mas seria um dos negócios mais volumosos, depois das privatizações da EDP e REN - já concluídas - e da TAP e da ANA, ainda em curso.
A ideia poderá ter regressado à mesa das negociações com a troika por uma conjugação de fatores. Por um lado, a execução orçamental deste ano obrigou o Governo a transformar a privatização da ANA numa concessão (as receitas das concessões podem ser abatidas ao défice, ao contrário das privatizações). Por outro, a SIC noticiou esta semana que a Caixa pode ter de registar ainda mais imparidades do que no ano passado, o que pode afetar seriamente os resultados líquidos do banco.

O grupo CGD tem neste momento à venda o negócio da saúde (Hospitais Privados de Portugal), que pode valer €80 milhões, está a finalizar a alienação da Caixa Seguros, avaliada em €1,8 mil milhões (em 2011), e várias participações não estratégicas.

 


 

QUANTO PODE VALER A CGD?
2,7 mil milhões de euros é uma das avaliações possíveis para a CGD, com base numa análise muito preliminar através do valor dos capitais próprios da CGD - €6,8 mil milhões a 30 de Junho - multiplicado pelo indicador price to book ratio do sector (capitais próprios a dividir pelo valor da média do valor da banca no mercado, que em Portugal é de 0,4). Não é conhecida nenhuma avaliação recente e o banco não está cotado em bolsa, pelo que qualquer avaliação depende sempre de um conjunto de múltiplos.
Há que ter em conta o interesse que uma eventual privatização da CGD poderia gerar. Um ativo só vale o que alguém estiver disponível para pagar. Com Portugal sob resgate, o sector deprimido e a precisar de ajuda estatal para reforçar capitais, não se anticipa uma grande procura para uma operação desta envergadura.

 


PRIVATIZAÇÕES PREVISTAS
 

TAP
O processo avança a todo o vapor.Já foram entregues três propostas não vinculativas. Um dos candidatos é o Grupo Synergy, do colombiano Germán Efromovich, acionista da Avianca. Dentro de poucos dias estarão escolhidos os finalistas.
 

ANA
A gestora de aeroportos afinal vai ser concessionada. A operação está agendada para 2012.
Admite-se que o interesse pela ANA seja grande. O encaixe previsto é de €1,2 mil milhões.
 

RTP
O programa do Governo previa a privatização de um dos canais (RTP1 ou RTP2). Mas a hipótese de concessão veio confirmar a indefinição em torno do dossiê: neste momento há seis cenários em cima da mesa.
 

Águas de Portugal
A privatização da EGF, empresa de resíduos do grupo Águas de Portugal, avança no primeiro trimestre de 2013. Regime de concessão é uma hipótese.
 

CTT
Há muito que os Correios estão na lista de empresas a privatizar. O governo prevê arrancar com a operação nos primeiros meses do próximo ano.
 

CP Carga
O segundo trimestre de 2013 é previsto pelo Governo para dar início à venda. Os terminais ferroviários ficarão na CP.
 

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Vitor Gaspar disse que ia acelerar as privatizações e o banco do Estado é um alvo.

Foto: Alberto Frias