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EDUARDO CATROGA REJEITA PRIVATIZAÇÃO DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS
2012-10-06
PÚBLICO

Foi ministro das Finanças, acompanhou a negociação portuguesa com a troika e aconselhou o PSD em matéria de programa eleitoral. Eduardo Catroga bem pode ser um dos padrinhos da actual governação e aconselha duas coisas a Passos Coelho: golpe de rins para dar a volta aos últimos erros e que mantenha a Caixa Geral de Depósitos (CGD) como um banco público.


Numa entrevista publicada hoje pelo Diário de Notícias, Eduardo Catroga, 69 anos, actualmente presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, diz que também não gosta do "aumento brutal de impostos" anunciado pelo Governo.


"O caminho seria actuar essencialmente pela via da despesa", de acordo aliás com a proposta de Catroga para o programa eleitoral do PSD. "Disse que o país não aguentaria mais aumento da carga fiscal das famílias e das empresas", recorda, assinalando, porém, que esse não pode ser agora o caminho porque "a base de partida que o PS dizia ser de um défice de 4,5% em 2011" não se confirmou.


"A troika corrigiu-o para 5,6% e na realidade veio a ser mais de 8%", assinala Catroga. "Hoje temos um aumento brutal de impostos porque deixámos aumentar brutalmente a despesa pública e a dívida pública", sustenta. "O país não pode voltar a crescer sem um ajustamento."


Apontado como possível ministro das Finanças, antes da escolha deste Governo, Catroga rejeita esse cenário, porque diz já não ter "paciência para deputados, jornalistas, para os parceiros sociais". "Vítor Gaspar é o homem certo para a conjuntura do país", defende, considerando que o actual titular da pasta está "a fazer um bom trabalho". E "muitos dos que criticam" esse trabalho "querem chuva na eira e sol no nabal".


"Eu compreendo. Se perguntar: 'quer sair do euro?' Não! 'Quer reduzir serviços no Serviço Nacional de Saúde?' Não! (...) Ninguém quer estas medidas, (...) eu também não gosto. Em termos marginais fico a pagar 70% de impostos."


Apesar disso, "globalmente, o Governo fez coisas boas durante 15 meses", argumenta. Mas "foi infeliz durante duas semanas", contrapõe, aludindo aos erros da gestão política de comunicação do executivo. Para dar a volta, que Catroga acredita ser possível, é preciso que Passos Coelho tenha agora "golpe de rins".


"Os bons políticos, como Churchill ou Clinton, muitas vezes parece que estão na mó de baixo e de um momento para o outro conseguem fazer um golpe de rins e vir para a mó de cima. Eu tenho esperança de que [Passos Coelho] consiga dar a volta para bem de Portugal e dos portugueses porque não há alternativa", prossegue Catroga, acrescentando que o primeiro-ministro "merece" isso, pela "coragem, pela determinação, sem teimosia, que manifestou durante 15 meses".


Remetendo para o "foro íntimo" a questão de uma eventual remodelação governamental – que só deveria ser feita após o Orçamento do Estado 2013 –, Catroga rejeita depois o cenário de privatização da Caixa Geral de Depósitos, mesmo que parcialmente. Defende que o banco deve continuar público e sujeito a uma "orientação estratégica do Governo", para "orientar os recursos", como financiamento e empréstimos "para o tecido produtivo, para as Pequenas e Médias Empresas".


Com um accionista privado, assinala Catroga, "o Estado iria dar instruções à CGD no sentido de ela correr mais riscos com as empresas e isso pode ser contrário aos interesses dos investidores privados".


"Pragmaticamente, a CGD deve ser reorientada dentro desta filosofia e não deve ser privatizada, mesmo parcialmente, nesta fase em que o Estado tem de ter uma política mais intervencionista no financiamento à Economia", conclui.

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Governo fez coisas boas em 15 meses e foi infeliz em duas semanas, diz Catroga
(Foto: Miguel Manso)