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SILVA LOPES: CGD DEVE SER "UMA INSTITUIÇÃO SÓ DE SERVIÇO PÚBLICO" E NÃO DEVE SER PRIVATIZADA
2012-11-08
NEGÓCIOS ONLINE

08 Novembro 2012 | 12:58
Ana Laranjeiro - alaranjeiro@negocios.pt


Silva Lopes é contra a privatização da Caixa, mas defende que se se tiver de avançar com essa solução que se privatize 100% do banco e não apenas uma parte.

Veja o vídeo.

“Proponho que se faça uma definição de qual deve ser o serviço público da Caixa”, afirmou Silva Lopes. Essa definição da Caixa Geral de Depósitos (CGD) deve ser “ampla” e excluir operações de empréstimos às transacções bancárias e no mercado de capitais. “Com essa definição, que aliás deve ser adaptada ano a ano conforme a conjuntura, a Caixa ficaria a ser uma instituição só de serviço público” e “não devia ser privatizada”, acrescentou o economista aos jornalistas à margem da conferência “Vender a Caixa é vender Portugal”, promovida pelo Sindicato dos trabalhadores das empresas do grupo CGD.


Por isso, e caso a CGD funcione como banco que preste serviço público, a hipótese de ser lançada uma instituição de fomento “é uma ideia estapafúrdia”. “O banco de fomento natural é a Caixa”, frisa. Contudo, caso a privatização do banco do Estado avance, o antigo governante considera que é preferível que ocorra na totalidade. “Se privatizarem 40% fazem com que os interesses privados passem a ter uma influência muito grande na gestão da Caixa”, afirmou tendo ainda acrescentado que “a Caixa seria colocada mais ao serviço de interesses privados e ficaria com responsabilidade financeiras enormes na mesma”. “Sou a favor da privatização a 100%, a ter de se fazer”, sintetiza.


Para Silva Lopes “o País precisa de uma instituição de crédito público porque os mercados não satisfazem todas as necessidades da economia”. Ainda assim, o responsável crítica o papel desempenhado pela CGD até aqui, sublinhando que o banco “está a comportar-se como um banco privado, fazendo operações que (...) não têm nada a ver com o interesse público”.


“Há uma rubrica na estrutura de crédito concedido pela Caixa que se chama empréstimos à actividade financeira que é uma rubrica de grande peso no total da carteira da Caixa e eu não sei o que está lá dentro”, ressalva. O banco do Estado “tem 30% da sua carteira de crédito nessas operações financeiras e não sabemos o que está lá dentro. Mas suspeito que sejam operações de bolsa, de compra e venda de capitais”. Uma verba que “faria bastante jeito às PME do País”.



CGD é um banco de fomento


Rui Vilar, ex-presidente da CGD, defende que o banco do Estado é um banco de fomento. “A evidência da necessidade de intervenção estratégica no sector do crédito revela-se pela própria insistência com que se tem falado da vantagem em possuirmos um ‘banco de fomento’. Ora ele existe: é a Caixa Geral de Depósitos! Não é preciso inventar a roda!”, adianta Rui Vilar que não esteve presente mas que deixou uma mensagem para ser lida.
 

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Foto: Miguel Baltazar / Negócios