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CGTP RESUME GREVE GERAL COMO "ALERTA VERMELHO" E LAMENTA VIOLÊNCIA
2012-11-16
RTP

Carlos Santos Neves,
RTP15 Nov, 2012

 

Está lançado um “alerta vermelho” com o Governo e o Presidente da República por destinatários. Arménio Carlos sintetizou assim, ontem à noite, o alcance de mais uma greve geral convocada pela CGTP. Uma jornada de protesto contra a austeridade que acabou num cenário de violência em São Bento. Perto de meia centena de feridos e sete pessoas detidas compõem o balanço de uma carga policial diante da Assembleia da República. A liderança da Intersindical lamentou “profundamente” os acontecimentos ali ocorridos. O ministro da Administração Interna atribuiu, por sua vez, os incidentes a “meia dúzia de profissionais da desordem e da provocação”.

Na conferência de imprensa que culminou a jornada de luta contra as políticas orçamentais do Governo de Pedro Passos Coelho, o secretário-geral da CGTP não avançou com números. Mas não hesitou em concluir que, em “dimensão”, a greve geral de quarta-feira “foi uma das maiores realizadas em Portugal”, estendendo-se não só às administrações central e local e empresas públicas mas também ao sector privado.


Arménio Carlos estimou mesmo que há agora “sinais inequívocos de que as coisas vão mudar”. Defenderia ainda uma “mudança de Governo”, na sequência de “um alerta vermelho”.

 

“Esta greve geral foi precisamente um alerta, um alerta vermelho para que o senhor Presidente da República mas também o Governo percebam que persistir neste caminho é persistir na direção do precipício. Quem quiser lançar-se para o precipício está no seu, enfim, legítimo direito. Agora não tem o direito é de arrastar consigo para o precipício dez milhões de portugueses e isso não vamos permitir enquanto estivermos cá”, afirmou o dirigente da Intersindical.


Na esteira desta greve geral, adiantou ainda Arménio Carlos, a CGTP tratará de ponderar outras ações de protesto. A próxima já está agendada. A 27 de novembro, dia da votação final global do Orçamento do Estado para 2013, haverá nova concentração frente à Assembleia da República.


No imediato, a central sindical conta promover uma petição e um manifesto, a submeter ao Parlamento, em defesa das funções sociais do Estado. Em simultâneo fará chegar a Cavaco Silva um “documento com inconstitucionalidades” que detetou na proposta de Orçamento.


Quanto à violência que se seguiu à manifestação da CGTP diante das escadarias da Assembleia da República, Arménio Carlos não quis alargar-se nas suas declarações: “O que nós nos limitamos a dizer, porque só podemos dizer isso, é que lamentamos profundamente aquilo que se está a passar”.



“Todas as garantias violadas”


Foi pouco antes das 18h30 que o corpo de intervenção da PSP carregou à bastonada sobre manifestantes que estavam concentrados em São Bento. A carga aconteceu depois de o contingente das forças de segurança ter sido apedrejado durante mais de uma hora por um grupo que se encontrava na linha da frente dos protestos. E de ordens infrutíferas de dispersão. Nos momentos que se seguiram ao avanço dos agentes, foram incendiados caixotes do lixo e danificadas viaturas e lojas.

 

A operação especial no perímetro da Assembleia da República só terminaria cerca das 23h15, segundo informações facultadas à agência Lusa pelo Comando Metropolitano de Lisboa. Do embate entre polícia e manifestantes resultaram 48 feridos. Foram também detidas sete pessoas por posse de arma proibida, resistência e coação a agente da PSP e desobediência civil, entre as quais um jovem com menos de 16 anos que acabaria por ser entregue aos pais após identificação. Seriam ainda identificados mais 20 suspeitos.

  

Ouvida durante a noite pela reportagem da RTP, Lúcia Gomes, identificada como advogada de três dos detidos, queixava-se de falta de informação e de procedimentos ilegais por parte das autoridades.


“Todas as garantias procedimentais e processuais estão a ser violadas e isto está a ser ridículo. Eu já falei com vários responsáveis, que negam entrada nas instalações, que negam o direito que os detidos têm de falar sozinhos com o seu advogado e nem sequer me deixam ver os documentos que eles estão a assinar. Já informaram que estão a ser assinados documentos em branco e que a acusação vai ser fundamentada, que nós nem sabemos que acusação é, em documentos que foram assinados em branco para eles poderem ser soltos. Eles foram detidos às 18h35. São 23h00 e nenhum deles falou com o advogado”, denunciou.


Numa declaração proferida ao início da noite, o ministro da Administração Interna apressou-se a assinalar que os incidentes “nada tiveram a ver com a manifestação da CGTP”, atribuindo-os “ao comportamento de meia dúzia de profissionais da desordem e da provocação que devem ser travados”. Miguel Macedo elogiou também o contingente policial “pelo profissionalismo, pela serenidade demonstrada e pela firmeza que revelou”.


Em declarações à Lusa, um porta-voz do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) classificou igualmente a intervenção da polícia como “proporcionada” e “atempada” para “controlar a violência” de “pequenos grupos mais ou menos organizados”. Filipe Pathé Duarte estimou ainda que, em Portugal, “todas as condições estão reunidas para que a manifestação social entre num processo de violência”, embora não seja, por agora, possível “perceber se a violência é totalmente conjuntural ou não”.


“A violência gera violência. Tem um efeito mimético”, advertiu o porta-voz do OSCOT

 

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Arménio Carlos lamentou "profundamente" a violência que se seguiu à manifestação da CGTP diante do Parlamento
Manuel de Almeida, Lusa

 

“A CGTP tudo fará para impedir que os portugueses fiquem numa situação de maior pobreza no futuro do que aquela em que neste momento já se encontram”, afiançou Arménio Carlos na conferência de imprensa da noite de quarta-feira.


O Conselho Nacional da CGTP vai reunir-se no próximo dia 22 de novembro para fazer o balanço completo da greve geral.



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Vinte e sete dos feridos nos confrontos frente à escadaria do Parlamento são manifestantes. Os restantes 21 são agentes da PSP.


Dezanove pessoas, entre as quais dois agentes da polícia, tiveram de receber assistência hospitalar.


Seis dos detidos são presentes esta quinta-feira a tribunal de pequena instância para um primeiro interrogatório judicial, devendo ficar a conhecer as medidas de coação.


O menor detido durante os confrontos deverá responder em Tribunal de Família e Menores.