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2 DE MARÇO: CGTP E MOVIMENTOS ANTI-TROIKA UNIDOS
2013-02-23
SOL

Arménio Carlos diz que «a hora é de unidade» e junta-se à manif de 2 de Março. João Proença condena insultos e PS divide-se sobre legitimidade das ‘flash mob Grândola’. Governo está preocupado.

A CGTP apoia e vai estar presente na manifestação de 2 de Março do movimento ‘Que Se Lixe a Troika! O Povo é Quem Mais Ordena’, que nos últimos dias tem protagonizado acções de protesto que interrompem discursos de ministros com a canção Grândola Vila Morena cantado em coro seguido de insultos.
 

No Governo, segundo duas fontes ouvidas pelo SOL, o novo fenómeno é visto com particular apreensão, pelo que pode significar de endurecimento da luta social.
 

E o que leva o líder de uma central sindical elogiada (até por membros do Governo) pelo respeito institucional a juntar-se a um grupo que tem sido criticado pelo radicalismo verbal? Arménio Carlos responde. «A hora é de unir. Os problemas dos trabalhadores justificam que todos contribuam para travar as políticas que estão a fazer tão mal ao país», declara ao SOL.
 

No dia 2 de Março, Arménio Carlos estará «numa das manifestações que estão marcadas em vários pontos do país» pelo movimento. A principal vai ligar o Marquês de Pombal ao Terreiro do Paço. E, entretanto, Arménio anda a acompanhar os protestos diários da CGTP que ocorrem desde sábado passado até Março. «Depende do sítio onde estiver», explica.
 

João Proença, líder da UGT, não estará em nenhuma manifestação. Nem tolera os insultos feitos a ministros nas já chamadas «Flash Mob Grândola» – protestos que começam por um passa-palavra nas redes sociais e via sms e terminam com um grupo a interromper cerimónias em que participam membros do Governo.
 

O momento mais crispado passou-se com Miguel Relvas: convidado para falar numa universidade (o ISCTE) em Lisboa, foi impedido de discursar e perseguido pelos estudantes. Proença reprova: «Foi muito mau. Protestar nestes termos é ilegítimo. Ir por esta via enfraquece a democracia», afirma ao SOL o líder da UGT.
 

Arménio Carlos é mais tolerante com os manifestantes. «Mais que discutir se é correcto ou incorrecto, tempos de perceber as causas que levam ao desespero das pessoas. Com a política do Governo as reacções desta natureza, infelizmente, começam a ser naturais», argumenta.
 

Fonte da CGTP diz que a central «não tem nada a ver com este tipo de acção». Mas sente que não se pode pôr à margem de um movimento anti-governo, que cresce todos os dias em adesão.
 

Manif e Sporting-FC Porto mobilizam polícia
 

O crescendo de contestação agravado dos últimos dias deixa a polícia em alerta. Segundo fontes policiais, admite-se a infiltração de elementos de grupos radicais. O grau de ameaça é igual ao da última greve geral, a 14 de Novembro – que terminou em carga policial após o apedrejamento do corpo de intervenção.
 

A 2 de Março todo o efectivo do corpo de intervenção de Lisboa estará mobilizado. Além da manifestação está marcado o jogo de futebol Sporting-FC Porto, proporcionando o envolvimento de claques.
 

Socialistas dividem-se, maioria de olho no PCP e BE
 

Os boicotes a ministros até começaram de forma suave. Passos Coelho, no debate quinzenal da Assembleia da República, há oito dias, calou-se até o coro inesperado de meia centena de pessoas nas galerias terminarem de cantar o Grândola. «De todas as formas que uma sessão pode ser interrompida esta parece-me a de mais bom gosto», disse quando retomou a palavra.
 

O tom mudou, com Relvas, esta segunda-feira. No Clube dos Pensadores, onde era convidado para discursar, o ministro começou por se juntar ao coro de manifestantes, desafinando a cantar o hino do 25 de Abril. Mas a seguir vieram ataques e insultos. No dia seguinte, seria ainda pior. Depois do que aconteceu no ISCTE, o PS começou a reagir. Em dois tons diferentes. Augusto Santos Silva e Francisco Assis destacaram-se na reprovação incondicional do sucedido com Relvas. O_Largo do Rato manteve-se em silêncio remetendo para Carlos Zorrinho.
 

«A falta de credibilidade do Governo é a principal causa do descontentamento», respondeu o líder parlamentar do PS, desafiado pelo líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro a clarificar a posição do PS. Zorrinho deixou desconfortados vários socialistas pelo facto de não ter condenado claramente a atitude dos manifestantes. Mas teve outra intervenção: no seu Facebook: «Isto não é bonito. Um governo mesmo quando insulta, não merece ser insultado. Merece ser derrotado. Não merece ser perseguido. Merece ser substituído». Ao SOL, Zorrinho diz que as declarações «não são contraditórias».
 

Pelo meio, os sociais-democratas começam a desconfiar da intersecção do movimento com os partidos mais à esquerda. Ontem, deputados e assessores faziam circular fotos de manifestantes alegadamente militantes do Bloco e PCP. O próprio Miguel Relvas, no ISCTE, acusou directamente o envolvimento de bloquistas – tese negada por João Semedo.
 

O comunista Bernardino Soares afirmara na Assembleia que, depois de Relvas «já ter dito as maiores barbaridades» aos jovens, desafiando-os a emigrarem, ter ido discursar a uma universidade foi «ir à procura dos acontecimentos».
 

* com Sónia Graça

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