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OPERAÇÃO APOIADA POR GOVERNO DE SÓCRATES. CGD PODE PERDER 500 MILHÕES EM ESPANHA
2013-03-15
i ONLINE

Ionline - 15-3-2013
Por Ana suspiro e Luís Rosa, publicado em 15 Mar 2013 - 03:10

O envolvimento da Caixa na La Seda é mais um negócio espanhol que correu mal. O projecto foi apoiado pelo governo de Sócrates 

 

O Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD) tem uma exposição financeira que ultrapassa os 500 milhões de euros à La Seda e aos investimentos do grupo catalão em Portugal que está novamente em processo de reestruturação, segundo documentação de accionistas internacionais a que o i teve acesso. A dimensão do valor em risco inclui os empréstimos e a participação no capital na La Seda, mas sobretudo o envolvimento enquanto accionista e grande financiador da fábrica da Artlant (Artenius) construída em Sines, para onde foram mobilizados mais de 400 milhões de euros.


A Caixa é, desde 2006, um dos grandes financiadores deste grupo catalão que produz PET (polímero para componentes usado na indústria dos moldes). A CGD apoiou financeiramente a expansão por aquisições da La Seda, que envolveu activos em Portugal, e acabou por entrar no capital da empresa catalã. Ao mesmo tempo, a Caixa assumiu o papel de assessor do financiamento do investimento na ordem dos 400 milhões de euros da fábrica de PTA (componente químico usado na produção de PET) que o grupo decidiu construir em Sines.


A defesa deste projecto para Portugal, que foi uma das bandeiras do investimento estrangeiro do primeiro governo de José Sócrates, terá sido a grande motivação para o crescente envolvimento da Caixa Geral de Depósitos no Grupo La Seda, admitiram no passado fontes do banco, que qualificaram o negócio de “político” e de interesse do accionista.


Hoje, fonte oficial da Caixa não respondeu às perguntas do i até ao fecho da edição, mas na recente apresentação dos resultados de 2012, a participação na La Seda foi apontada como uma das causas para os prejuízos da ordem dos 100 milhões de euros registados na sucursal espanhola do banco público.

As perdas potenciais e já reconhecidas com as operações associadas às operações La Seda afectam outras unidades do Grupo Caixa.


Perdas de 270 milhões assumidas
Um balanço realizado recentemente aponta para perdas da ordem dos 270 milhões de euros. A principal fatia resulta da participação accionista na La Seda, que actualmente é de 10%, e da desvalorização das acções. Mas também já foram assumidos prejuízos resultantes da reestruturação financeira de créditos, designadamente do financiamento sindicado no valor global de 600 milhões de euros, concedido por vários bancos para apoiar a estratégia agressiva de compras da La Seda. O BCP também está envolvido, mas com menor exposição.


A assunção de mais perdas vai depender do sucesso do novo plano de reestruturação apresentado aos credores para refinanciar a dívida já que, fruto da crise nos mercados de destino da Europa, o grupo não está a obter os proveitos necessários para realizar os reembolsos. A situação afecta sobretudo o envolvimento da Caixa na Artlant, a empresa que gere a unidade de Sines e onde a Caixa Capital, holding de capital de risco, é accionista ao lado do fundo ECS, liderado pelo ex-presidente da CGD, António de Sousa, e da InovCapital.


A proposta foi apresentada pela portuguesa BA (Barbosa e Almeida) PET, liderada por Carlos Moreira da Silva, que é a maior accionista da La Seda, e prevê a conversão parcial do empréstimo sindicado em acções e um novo reforço de capital. Caso participe neste plano, que ainda não foi aprovado pelos credores, a Caixa irá reforçar a sua posição accionista e a exposição à La Seda. A alternativa poderá, contudo, acelerar o reconhecimento de perdas que, hoje, ainda são potenciais, embora representem um risco assinalado pelo banco público.


Vender ou vender
Uma hipótese seria aceitar a proposta de compra do crédito sindicado apresentada pela Anchorage. Esta gestora americana de fundos de investimento já é um dos maiores credores da La Seda, depois de ter comprado parte do empréstimo. Mas a oferta é a desconto e a venda implicaria mais prejuízos para a Caixa. Por outro lado, o banco público tem estado alinhado com o accionista de referência português, a BA PET, e esta opção poderia comprometer esse entendimento. Contactado pelo i, Moreira da Silva, presidente da BA PET e da La Seda, optou por não comentar, até porque estão em curso negociações.


Outras soluções possíveis passam pela venda de activos ou pela alienação do controlo accionista a um parceiro estratégico. O principal objectivo da CGD é assegurar a viabilidade da fábrica de Sines que fornece as unidades da La Seda, assegurando clientes para a sua produção. É nesta empresa, a Artlant, que se concentra a maior dimensão do valor em risco da Caixa.

 

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