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OIT SITUA PORTUGAL ENTRE OS PAÍSES ONDE O RISCO DE TENSÃO SOCIAL MAIS AUMENTOU
2013-06-04
NEGÓCIOS ONLINE

03 Junho 2013, 15:59 por Eva Gaspar | egaspar@negocios.pt

 

A OIT avaliou 71 países e concluiu que, entre 2011 e 2012, o risco de agitação social subiu em 46, estando concentrado na União Europeia. Desemprego deverá continuar a aumentar no mundo, mas não mais nas economias avançadas.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) calcula que o risco de agitação social seja actualmente mais elevado nas economias avançadas, onde se têm concentrado os maiores decréscimos na actividade económica e no emprego, e que esse risco esteja especialmente à espreita em países pertencentes à União Europeia. Ao mesmo tempo, porém, a OIT estima que a sangria do desemprego continue a alastrar em termos globais podendo atingir 207,8 milhões de indivíduos em 2015 (mais 38 milhões do que antes da crise, em 2007), mas sobretudo devido ao seu aumento na Ásia,  América Latina e África, devendo estagnar nas economias avançadas, em torno de 45 milhões.
 
“O risco de agitação social é mais elevado entre os países da UE-27 – aumentou de 34% entre 2006/07 para 46% entre 2011/12”, refere o relatório “Recuperar o tecido económico e social” divulgado nesta segunda-feira por esta agência das Nações Unidas.
 
O mesmo relatório identifica Chipre, República Checa, Grécia, Itália, Portugal, Eslovénia e Espanha como sendo os países onde o risco de agitação social mais subiu. Essa conclusão é apresentada tendo por referência a variação entre os anos de 2010 e 2012 de um índice que sintetiza os resultados de inquéritos realizados pela Gallup para avaliar cinco dimensões, entre as quais a percepção sobre a evolução dos padrões de vida.
 
O relatório conclui ainda que a desigualdade na distribuição de rendimentos aumentou entre 2010 e 2011 em 14 das 26 economias avançadas estudadas, destacando o caso de França, Dinamarca, Espanha e Estados Unidos, que vê ampliada a sua tradicional posição de país mais desigual do mundo desenvolvido. A ajudar a explicar este fenómeno está, diz a OIT, a circunstância de em 2011 “os CEO das maiores empresas cotadas nos Estados Unidos ganharem em média 508 vezes mais do que o trabalhador norte-americano médio”.
 
A partir dos gráficos apresentados no relatório pode depreender-se que as desigualdades em Portugal terão aumentado entre 2010 e 2011, mas manter-se-ão abaixo dos níveis observados em 2007, ano de referência do estudo, por ser o anterior ao eclodir da crise financeira.
 
"Esses números apresentam uma evolução positiva em muitas partes do mundo em desenvolvimento, mas traçam um quadro preocupante em muitos países de elevado rendimento, não obstante a recuperação económica. Em alguns países europeus começa a pôr à prova o tecido económico e social. Precisamos de uma recuperação global focada em empregos e investimentos produtivos, combinada com uma melhor protecção social para os grupos mais pobres e vulneráveis. E precisamos de prestar muita atenção para reduzir as desigualdades que estão aumentar em muitas partes do mundo", sintetiza Guy Ryder, Director-geral da OIT.

 
Classe média está a encolher 
 
O relatório refere ainda que a chamada “classe média” está a encolher, em parte devido ao desemprego de longa duração e que essa é uma questão preocupante não apenas numa óptica de inclusão social, mas por razões económicas, na medida em que afecta decisões de investimento das empresas.
 

A OIT refere, por outro lado, que também as desigualdades entre pequenas e grandes empresas estão a aumentar. “Enquanto a maioria das grandes empresas já recuperou o acesso aos mercados de capitais, as pequenas empresas persistem desproporcionalmente afectadas pelas condições de acesso ao crédito bancário. Este é um problema para a recuperação imediata do emprego e afecta as perspectivas económicas de longo prazo”, refere o relatório.
 
A OIT recomenda aos Governos uma “abordagem que equilibre as metas macroeconómicas e de emprego”, o que significa “um ritmo sustentável de medidas de consolidação orçamentária, mais atenção ao emprego e ao impacto social das diferentes políticas macroeconómicas, e acabar rapidamente com ineficiências ainda não resolvidas no sistema financeiro”.
 

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