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FMI ADMITE ERRO NAS DOSES DE AUSTERIDADE PARA A GRÉCIA
2013-06-07
RTP NOTÍCIAS

Paulo Alexandre Amaral, RTP
05 Jun, 2013, 19:07 / atualizado em 06 Jun, 2013, 07:14

A notícia já se espalhou pela imprensa económica: num documento interno, que deverá tornar público esta quinta-feira, o Fundo Monetário Internacional confessa ter subestimado as consequências que teriam para a economia grega as doses de austeridade que o prescreveu. Durante três anos. O documento é interno e confidencial, mas já foi revelado pelo The Wall Street Journal.


Um mea culpa que surge escassas horas após a diretora-geral do Fundo, Christine Lagarde, vir chamar a atenção para a necessidade de reformar o setor financeiro com o cuidado de não condenar de forma inapelável o crescimento da economia mundial. O documento – assinala o WSJ – está classificado como “estritamente confidencial”.
 

Ainda de acordo com o WSJ, o Fundo admite igualmente ter procedido a uma análise errada dos pressupostos gregos para se candidatar a assistência externa, falhando o país três dos quatro critérios que se impõem para a luz verde dos resgates do FMI. Um dos erros assinalados foi a o capítulo da sustentabilidade da dívida de Atenas – este critério, tido como fundamental, não estava de facto assegurado, admite o FMI.
 

As dúvidas em torno dos números gregos eram tão grandes “que os técnicos não estavam em condições de garantir que a dívida pública [grega] era sustentável com forte grau de probabilidade”, assinala o jornal, que teve acesso ao documento a publicar esta quinta-feira.
 

Por outro lado – escreve The Wall Street Journal –, a operação grega era vista pelo FMI como uma moratória, uma forma de arranjar tempo para se coordenar com a União Europeia no desenho de uma estratégia para manter a crise afastada dos restantes membros da Zona Euro.


Confiança a mais

O Fundo Monetário Internacional admite igualmente que confiou demasiado quer na viabilidade da economia grega de um regresso aos mercados, quer na capacidade de o governo de Atenas para implementar as condições do plano de resgate.
 

As falhas na forma como concebeu o plano de resgate grego levam agora o Fundo a contradizer declarações que vinham sendo proferidas ao nível mais alto da instituição. A diretora, Christine Lagarde, sublinhou anteriormente que a dívida era sustentável e que seria de esperar que Atenas cumprisse os seus compromissos, pagando a totalidade da dívida nos prazos definidos.
 

O documento denota também uma espécie de arrependimento: o FMI parece considerar o resgate grego uma operação falhada, ou em vias de falhar.


FMI em semana de correções

A semana começou para o FMI com a correção em baixa das perspetivas de crescimento da Alemanha. Na terça-feira foi dia de corrigir os números para a França. Amanhã será o dia do ato de contrição em relação à Grécia: quer em relação à situação de partida do país, quer à receita que o Fundo prescreveu aos governantes de Atenas para lidarem com a situação. "São observadas tendências mais sombrias. Dados recentes sugerem, por exemplo, uma certa desaceleração do crescimento"
 

Christine Lagarde assinalava terça-feira num discurso em Washington “tendências sombrias” para os tempos que aí vêm: “Dados recentes sugerem uma certa desaceleração do crescimento”.
 

A diretora-geral do FMI antevê uma “fase mais difícil” para a economia mundial, um cenário que contraria as previsões que vigoravam anteriormente. São alterações que levam agora os responsáveis do Fundo monetário Internacional a advogarem uma alteração da linha de rota para as estratégias mundiais. Compreendem agora que a austeridade não será a mais indicada das receitas para lidar com a crise internacional nascida dos especuladores financeiros.
 

“Mais atenção ao crescimento, emprego e equidade na vida económica [questões que] realmente interessam às pessoas”, resume Lagarde, para acrescentar que “precisamos de uma recuperação global a toda a velocidade (…) com cuidado e com respostas políticas personalizadas”.

 

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Fotografia: Eric Vidal/Reuters