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SANTOS FERREIRA - “NÃO VEJO RAZÃO PARA TROCAR A CAIXA POR UM PRATO DE LENTILHAS”
2013-08-16
ECONÓMICO

Por António Esteves   

16/08/13 00:17

Santos Ferreira.
Defensor do banco público, espera que o Banco de Fomento não seja um pretexto para a sua venda.

Faz sentido esta intenção do Governo de criar um Banco de Fomento, com o objectivo de apoiar a economia?
Estou fora do assunto. Sou daqueles que pensa que seria menos espectacular, mas mais proveitoso, atribuir essas funções à Caixa Geral de Depósitos [CGD]. A única coisa que me parece relevante é que a criação do Banco de Fomento não seja pretexto para privatizar a Caixa.

A Caixa não deve ser privatizada?
Na minha opinião, não.

Porquê? O que é que a Caixa faz de diferente e melhor do que os outros?
Mesmo que faça igual, por que razão privatizá-la?


Revê-se na afirmação de que a Caixa se assemelha ao pior e não se diferencia no melhor em relação à banca privada?
Acho que a Caixa, mesmo funcionando como um banco similar ao BES, ao BPI, ao Millennium, é um bom banco.

Mas por que têm de ser os portugueses os donos do banco?
Que ganham em não ser?

Não têm de injectar capital...
E não receber os correspondentes dividendos. A privatização em si funciona: tenho uma coisa que dá prejuízo, se a privatizar recebo algum dinheiro, ela é por definição melhor gerida, sendo melhor gerida gera resultados, sobre esses resultados, vou cobrar impostos, etc, etc.... Muitas vezes não é assim, como sabemos. Uma coisa com que, na Caixa, devemos ter sempre imenso cuidado é com o risco moral. Admita que há um problema na Caixa, o risco moral é do Estado. Se a Caixa fosse privatizada, se houvesse um risco de a Caixa ter um problema sério, onde é que está a obrigação de a resgatar, ajudar e apoiar? Sempre no Estado.

Essa análise é muito prudente, mas a Caixa hoje devia ter um posicionamento diferente face aos bancos privados?
Posicionamento privado quer dizer o quê? Fazer crédito mais fácil, ou seja, com menor análise de risco? De fazer crédito mais barato? Talvez. Se isso significar que pode ser uma influência benéfica para o conjunto do sector. A Caixa pública deve ser o regulador, pela sua própria existência, do sector financeiro. Não vejo razão nenhuma para a trocar por um prato de lentilhas.

Os bancos têm duas metas exigentes impostas pela ‘troika': rácios de capital, revisão das carteiras de crédito. Parece-lhe que todos os bancos a operar em Portugal têm condições para cumprir estas metas?
Acho que a banca portuguesa está genericamente em condições de fazer isso. Até porque tem folgas nos rácios de capital.

Mas há grandes dificuldades nas carteiras de crédito, na sua opinião?
Com o país na situação em que está, a banca reflete-o. Mas a banca tem folga para o poder fazer.
 

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