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GESTORES DA CGD GANHAM UM MILHÃO POR ANO
2013-08-20
SOL

20 de Agosto, 2013por Helena Pereira


O negócio da Caixa Geral de Depósitos em Espanha é o que mais penaliza as contas do banco público, mas os gestores da filial em Madrid são os administradores no estrangeiro mais caros do grupo, com uma factura salarial de cerca de um milhão de euros por ano.

Os dados constam de uma resposta a um requerimento do deputado do PSD, Duarte Marques, que insistiu por duas vezes para saber quanto recebiam os gestores da CGD no estrangeiro. Só à segunda vez obteve resposta, que foi dada pelo ex-titular das Finanças, Vítor Gaspar.

São três os gestores do Banco Caixa Geral SA, que nos últimos anos enfrentou problemas de liquidez, obrigou à injecção de dinheiro por parte da casa-mãe. No primeiro semestre de 2013 apresentou resultados negativos de 90 milhões de euros, metade do total de prejuízos do grupo Caixa nesse período.

De acordo com o Ministério das Finanças, o presidente, Manuel Lopez Figueroa, recebeu em 2012 cerca de 470 mil euros, ou 39 mil euros por mês. Os dois vogais do conselho de administração, Gonzalo Garcia Puig e João Plácido Pires, receberam 292 mil e 225 mil euros, respectivamente. No ano passado, não tiveram direito a remuneração variável, mas mantiveram outras regalias como viatura de serviço, habitação compatível com a função e duas viagens por ano para o próprio e agregado familiar.

“É absolutamente essencial responsabilizar os gestores como os bancos privados fazem. Quem está à frente destas operações deve ser responsabilizado, para mais num banco público em que os accionistas são todos portugueses. As pessoas tendem a esquecer-se disso”, afirmou ao SOL o deputado Duarte Marques.

Em segundo lugar na lista de gestores da CGD no estrangeiro com maior remuneração fixa, logo a seguir ao responsável por Madrid, está Pedro Oliveira Cardoso, à frente da CGD em Macau. Recebeu 296 mil euros, ainda assim distante de Manuel Lopez Figueroa.

Oliveira Cardoso teve direito a um prémio pelo desempenho em 2012, que as Finanças dizem, no entanto, ainda não ter sido atribuído. Além do salário, recebe subsídio de estudo para os filhos, habitação, viatura de serviço e três viagens por ano para toda a família. Os outros dois gestores em Macau receberam 177 mil e 156 mil euros, respectivamente.
No Brasil, a factura com o salário dos três gestores da CGD totalizou 721 mil euros. Só a presidente, Deborah Vieiras, teve direito a 275 mil. Os prémios relativos a 2012 ainda não foram distribuídos.

Subsídios e viagens não contabilizados

Por último, a CGD tem dois gestores na África do Sul. O presidente, David Brown, recebeu em salário fixo 241 mil euros. Como teve um prémio superior ao vencimento-base, no valor de 271 mil euros, acabou por ter um salário total superior ao do homólogo espanhol. Foi o gestor mais bem pago em 2012, com um vencimento total de aproximadamente 43 mil euros por mês. Já o outro vogal recebeu 150 mil euros de ordenado e 7.578 euros de remuneração variável.

O Ministério das Finanças não discrimina, no entanto, quais os montantes pagos em subsídios de habitação e de educação, nem como são calculados aqueles valores. Os custos com viagens e viaturas também não foram contabilizados.

 

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