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A PRIVATIZAÇÃO DA CAIXA MORREU. DE VEZ.
2014-07-26
EXPRESSO

Expresso 26/7/2014
Ricardo Costa
 


Há uma boa notícia a retirar da crise no BES. Nenhum governo ousará privatizar a Caixa. È nestas alturas que se percebe que seria uma loucura retirar ao Estado um instrumento bancário.
 

A privatização da Caixa Geral de Depósitos é um daqueles temas que vão e vêm ao sabor dos tempos. Há momentos em que o tema é discutido com fervor e outros em que se evapora por milagre. Uma das pessoas que trouxe o tema a debate de forma mais consistente foi o atual primeiro-ministro na sua primeira tentativa de assumir a liderança do PSD. Quando perdeu as eleições internas – contra Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes -, Pedro Passos Coelho apresentou essa proposta, com bons argumentos.

Sempre fui contra tal privatização, mas reconheço que Passos sustentava bem a ideia. Em bom rigor, era um dos vértices de uma expressão mais vasta (e com a qual concordo em termos gerais) e que passa por “libertar a economia”. Ora, uma economia liberta pressupõe um Estado forte mas menos interveniente, com regulação determinada e prestação de serviços em áreas bem definidas. No entender de Passos, uma área onde não fazia muito sentido a presença do Estado era exatamente a banca.

Convém não retirar a ideia do contexto. Nessa altura ainda estávamos longe de ver muitos bancos entrarem em crise profunda, uns por estarem carregados de créditos malparados, outros por terem os bolsos cheios de dívida pública, alguns por serem casos de polícia, outros por terem o risco como profissão e um último por andar com uma família às costas. Ao longo destes anos, vimos isso tudo e mais uns trocos. E vemos agora o que seria o país se o Estado não tivesse um banco.

A banca é fundamental à economia de qualquer país.

Mas não está imune aos ciclos económicos, a erros de gestão, a lideranças megalómanas, a guerras de poder, a acionistas sem capital e a muitos outros assuntos. É certo que um banco do Estado não está a salvo de um dos piores riscos da banca: o da sua utilização pela política e vice-versa. Mas, nos últimos anos, o que vimos em Portugal foi que esse risco político andou a galope pela banca privada.

Uma das frases que mais ouço nas Faculdades de Economia é que os privados gerem sempre melhor do que o Estado. O problema não está na frase nem em quem a profere. O problema está nos que consideram que a frase é um axioma. O que estes dias nos mostram (ou confirmam) é que seria uma irresponsabilidade retirar ao Estado o seu único instrumento financeiro. Acho que até Passos já percebeu isso.

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