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BNU EM TIMOR-LESTE TEM 90% DO CRÉDITO MALPARADO POR NÃO O REGISTAR COMO PERDAS
2015-01-23
LUSA

Lusa
23 de Janeiro de 2015, às 09:53

O BNU em Timor-Leste, sucursal da CGD, tem mais de 90% do crédito malparado do sistema timorense, porque, contrariamente aos outros bancos, não transforma estas operações em perdas, disse à Lusa o diretor geral daquela entidade.
 

Em declarações à agência Lusa, Fernando Torrão Alves explicou que aquela sucursal da Caixa Geral de Depósitos (CGD) tem optado por não transformar o crédito malparado em perdas (operação designada na banca como 'write offs'), apesar de pressões para que isso aconteça, de forma a melhorar as estatísticas do país.

"Se todos os bancos fizessem isto, nas estatísticas internacionais Timor-Leste tinha uma 'performance' excelente de cumprimento de crédito. E não, potencialmente, um nível de incumprimento de todo o sistema de 50%", como acontece, afirmou.

Além do BNU, operam na banca o de Timor-Leste o timorense BNCTL, o indonésio Mandiri e o australiano ANZ.

Atualmente, o BNU acumula 39,3 milhões de dólares de crédito malparado, num universo total de cerca de 90 milhões de dólares de carteira viva de crédito, explicou a fonte.

Segundo a mesma fonte, o grande peso desse crédito malparado está em operações realizadas entre 2004 e 2007, com metade deste valor a ser dividico entre microcrédito e crédito a particulares, enquanto o restante é de empresas.

Segundo as fontes, concretizar com exatidão essa divisão de tipo de crédito é difícil, porque até 2009, o BNU "chegou a conceder muito crédito classificado como particular, mas que, na realidade,era para pequenos empresários, para pequenos negócios".

Apesar do crédito malparado, insistiu Manuel Torrão Alves, o BNU continua a ser a entidade que mais crédito concede em Timor-Leste, tendo injetado na economia nos últimos cinco anos créditos totais no valor de cerca de 600 milhões de dólares.

Desde 2010, explicou, houve mudanças nos critérios de concessão de crédito e os dados mostram que o financiamento ao retalho puro até 10 mil dólares - para onde foram canalizados 10 milhões de dólares no ano passado - tem um nível de incumprimento "muito bom", de menos de 2%.

Em termos gerais, Torrão Alves explicou que a taxa de incumprimento nos créditos concedidos pelo banco até 2010 foi de 50% e que nos créditos concedidos desde essa data "está abaixo dos 3%".

Segundo Torrão Alves, a sucursal do BNU em Timor-Leste tem uma autonomia de decisão sobre crédito num valor máximo de 56 mil dólares para particulares e de 96 mil dólares para empresas, tendo as restantes operações que ser reportadas a Lisboa.

Considerando que atualmente há "mais sensibilidade" da CGD para o contexto de Timor-Leste, Torrão Alves admitiu que as coisas demoram mais tempo, mas que, ainda assim, os dados demonstram que o BNU continua a ser o maior contribuidor para a economia.

"Apesar das todas as limitações, quem puxa pela carroça no crédito á economia somos nós", declarou.

No final de 2014, o BNU tinha uma carteira de crédito de 84 milhões de dólares, quase metade de todo o sistema financeiro de Timor-Leste.

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