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TRABALHADORES DA CAIXA CRITICAM PASSOS COELHO
2015-08-04
ECONÓMICO

4 Agosto 2015, 00:01 por Diogo Cavaleiro | diogocavaleiro@negocios.pt

O sindicato de funcionários da CGD defende que o Governo parece estar à “procura de um contexto para pôr a Caixa na agenda das privatizações”, alinhando numa leitura que tem vindo a ser feita pela oposição.
 

Colocar a privatização da Caixa Geral de Depósitos em cima da mesa. É esta a leitura feita pelo Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC) relativamente à "preocupação" demonstrada pelo primeiro-ministro sobre o facto de a gestão liderada por José de Matos ainda não ter devolvido um cêntimo da ajuda estatal recebida em 2012.
 

"Não há nenhuma razão para isto aparecer: é uma recapitalização que tem de ser resolvida até 2017 e estamos a meio do ano de 2015. É um não-assunto", atacou João Lopes, o presidente da direcção do STEC, em declarações ao Negócios.
 

É nesse sentido que o líder do sindicato defende que se está a abrir a porta à venda da Caixa para mãos privadas, como já esteve nos planos de Passos Coelho. "A ideia que dá, a ser trazida para a praça pública e a ser desenvolvida por Marques Mendes – o ‘speaker’ de serviço do primeiro-ministro, na nossa óptica –, é a procura de um contexto para pôr a Caixa na agenda das privatizações", continua João Lopes.
 

O sindicalista tinha expectativa de que o tema acabasse por sair do espaço mediático mas tal não aconteceu, nomeadamente depois de o comentador Marques Mendes, no habitual espaço na SIC, no sábado passado, ter dito que a administração da Caixa Geral de Depósitos não tinha condições para se manter em funções depois de Passos Coelho ter-se assumido "preocupado" com a ausência de reembolso da injecção de 900 milhões de euros.
 

"É lamentável", continua João Lopes. "Não se nota nenhuma preocupação nem do primeiro-ministro nem do Governo sobre os mais de 5 mil milhões de euros que a CGD foi obrigada a injectar no ex-BPN", remata, acrescentando a mesma ideia relativamente a dinheiro emprestado ao Grupo GES ou ao comendador Joe Berardo "para aventuras de especulação bolsista".
 

A ideia de que a "preocupação" assumida pelo líder do Executivo é um passo para a privatização foi também sublinhada pelo PCP. "Passos Coelho quer ir ainda mais longe na entrega de sectores estratégicos ao grande capital", disse Jorge Pires, esta segunda-feira, citado pela Lusa.
 

Na semana passada, Pedro Nuno Santos, deputado socialista, e Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, tinham já dito ao Negócios que as palavras de Passos Coelho apontavam para a recuperação da ideia de privatização do banco público.
 

CGD e Finanças em silêncio

Nem a Caixa Geral de Depósitos nem o Ministério das Finanças fazem comentários a eventuais consequências das palavras de Pedro Passos Coelho na Redacção Aberta, do Negócios. "Preocupa-me e espero que a administração da Caixa não deixe de executar as operações que forem necessárias e que permitirão fazer o reembolso desse valor que foi investido na capitalização da Caixa e que o foi apenas na circunstância de o devolver com os juros que foram estabelecidos e que foram estabelecidos para todos os bancos nos quais o Estado entrou", declarou o primeiro-ministro na semana passada. "José de Matos não comenta", foi a resposta oficial na quinta-feira. Desde aí, silêncio.
 

Foi com Passos Coelho que José de Matos, então vice-governador do Banco de Portugal, foi eleito CEO em Julho de 2011. Dois anos depois, o mandato foi renovado pelo Executivo, tendo, assim, trabalhado sob a tutela do antigo ministro Vítor Gaspar e de Maria Luís Albuquerque.

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