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O FUTURO DA BANCA E A IMPORTÂNCIA DA CAIXA
2015-11-30
ECONÓMICO

00:05 - Filipe Alves
filipe.alves@economico.pt

Na semana passada, o economista Vítor Bento profetizou que dentro de cinco anos já não existirão grandes bancos portugueses, em resultado das políticas seguidas nas últimas décadas, conduzindo-nos a uma “economia completamente subsidiária onde os centros de decisão estão fora do País”.

Estas declarações de Vítor Bento são oportunas e deveriam servir de tiro de partida para uma discussão séria e pragmática, liberta de palas ideológicas, sobre o futuro do sector financeiro português.


Em primeiro lugar, Vítor Bento tem razão. Portugal é hoje um país descapitalizado, endividado e muito dependente do exterior. Até os nossos ricos são meros parentes pobres dos seus pares europeus. E sem capital “nacional” não existe banca “nacional”. É tão simples quanto isto. Existem, laro, bancos portugueses com centros de decisão em Portugal, mas que têm capitais maioritariamente estrangeiros. Mas também estes poderão deixar de existir nos próximos anos, se forem ‘engolidos’ pelos movimentos de consolidação à escala europeia.


Desta forma, como disse Vítor Bento, Portugal poderá em breve ser o único país desenvolvido com um sistema financeiro inteiramente controlado por estrangeiros.


Em segundo lugar, este cenário só será inevitável se os portugueses quiserem. Importa que também neste campo os partidos políticos cheguem a um consenso sobre as prioridades estratégicas do País. E mais importante do que a nacionalidade dos accionistas, importa saber onde estão os centros de decisão dos bancos. Temos de decidir se queremos ter pelo menos um grande banco que tenha o seu centro de decisão em Portugal. E devemos agir em conformidade.


Neste contexto, convém lembrar a crise financeira de 2010/2011, quando os mercados internacionais fecharam a ‘torneira’ a Portugal. Nesse período crítico, os bancos com centro de decisão em Portugal foram os únicos que mantiveram o financiamento a várias grandes empresas - públicas e privadas - que estavam em graves dificuldades. Por isso sim, pondo de lado as fantasias do liberalismo mais utópico, a experiência demonstra como é importante termos centros de poder no País. Não podemos ficar ainda mais dependentes do exterior e desprovidos de instrumentos e meios de acção. E à falta de grandes bancos detidos por capitais privados nacionais ou que tenham o seu centro de decisão em Portugal, o Estado deve continuar a assegurar a existência de um banco público, a CGD. Isto tem um custo para os contribuintes? Tem. Mas é o preço a pagar para mantermos uma “reserva de soberania” nesta área.

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