Terca-Feira, 22 de Agosto de 2017

CONTACTOS

STEC
NOTÍCIAS DE IMPRENSA
BCE QUESTIONA CGD SOBRE EXPOSIÇÃO A ANGOLA
2016-08-01
ECONÓMICO

01 Ago 2016 Maria Teixeira Alves


O BCE tem andado a questionar os bancos portugueses, sobretudo a CGD, sobre a sua exposição ao mercado angolano, soube o Económico. Esta notícia ganha especial relevo numa altura em que se fala de uma fusão do BFA com o banco da CGD em Angola, para livrar o BPI da exposição aos grandes riscos de Angola.
 

O BCE, mais precisamente o Mecanismo Único de Supervisão, tem enviado questões aos bancos portugueses com exposição ao mercado de Angola. São questões para avaliar o nível da sua exposição a Angola, que passou a ser de risco elevado para o BCE. O BCE considerou Angola como um dos países que não tem uma regulação e supervisão semelhantes às existentes na União Europeia, e o risco passou a ser ponderado a 100% no capital dos bancos.


As questões que têm chegado aos bancos, nomeadamente à CGD são: "exposição à dívida pública angolana" e "exposições da CGD a empresas que apenas podem pagar os seus créditos quando resolvem os seus problemas em Angola (conseguirem ser pagas e repatriar os lucros)", revelam as fontes do sector. A exposição dos bancos a empresas que têm dificuldades em repatriar os lucros de Angola e que têm pagamentos em atraso naquele mercado, como por exemplo a Soares da Costa, mas não só, tem sido escrutinada pelo supervisor europeu. Como se sabe para agravar a situação, em Angola não abundam divisas o que tem criado grandes dificuldades às empresas portugueses que operam naquele país.


"A CGD está em Angola com o objectivo de apoiar as PMEs portuguesas, apoiar a questão das divisas, e dos salários dos expatriados em Angola", refere fonte conhecedora do processo.


Isto assume particular relevância numa altura em que se fala da possibilidade de, para livrar o BPI do excesso de risco à Angola, usar a CGD para ultrapassar esse problema. Esta semana o Expresso avançava que o CaixaBank admite estudar a fusão do BFA com o banco da CGD em Angola. A proposta partiu da Violas Ferreira Finantial, o presidente executivo do CaixaBank.


O espanhol CaixaBank está disponível para avaliar a fusão entre o Banco Fomento de Angola (BFA) e o Banco Caixa Geral Angola, sugerida pela família Violas Ferreira, maior accionista português do BPI (2,681%), e admite fazê-lo quer a oferta pública de aquisição (OPA) que lançou sobre o BPI tenha sucesso ou falhe, diz o semanário. A 8 de Julho, em resposta à proposta do accionista Tiago Violas, o presidente executivo do CaixaBank, Gonzalo Gortázar, reconheceu que a fusão poderá ser uma “solução interessante” a explorar, em devido tempo, como forma de desconsolidar o BFA e resolver a questão do risco do BPI pela exposição ao mercado angolano.

Fontes consideram que isso vai em contra-mão com as recomendações do BCE para a CGD que quer que esta limite ao mínimo a exposição do risco a Angola.


Fontes ligadas ao processo consideram que essa fusão traduz-se em usar a CGD para livrar o BPI do excesso de risco a Angola.


Segundo informação transmitida pelo banco ao regulador de mercado espanhol, "o Comité de Supervisão do Banco Central Europeu em resposta ao pedido do CaixaBank, decidiu dar ao banco um prazo de quatro meses para resolver o risco de elevada exposição” que tem ao mercado angolano. O período de quatro meses só começa a contar a partir da conclusão da OPA (Oferta Pública de Aquisição) feita pelo CaixaBank sobre o BPI, “partindo do pressuposto que ela se realiza antes de Outubro de 2016”. Esta informação foi confirmada por Fernando Ulrich na última conferência de imprensa.

 

TopoIr para lista

economico_ago2016