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CGD COM PREJUÍZOS DE 205,2 MILHÕES DE EUROS NO SEMESTRE COM IMPARIDADES DE 328 MILHÕES
2016-08-14
ECONÓMICO

10 Ago 2016 Maria Teixeira Alves


O banco do Estado, e ainda liderado por José de Matos teve um resultado líquido negativo devido essencialmente às imparidades de 328 milhões e às perdas com a cobertura de risco de taxa de juro da dívida soberana (47,4 milhões). O resultado recorrente subiu 19%.

O banco ainda liderado pela equipe de José de Matos, e agora resumida a quatro administradores executivos, teve prejuízos no semestre de 205,2 milhões de euros. Deve estes prejuízos às imparidades de 328 milhões e aos resultados negativos do swap para cobrir risco de taxa de juro da carteira de dívida soberana.
 

Neste último caso, os resultados de operações financeiras foram negativos em 47,4 milhões de euros. Influenciados pela elevada volatilidade sentida nos mercados financeiros internacionais, incluindo a dívida pública, associada ao referendo do Reino Unido sobre a permanência na União Europeia.


O que aconteceu é que a CGD tem toda a carteira de dívida soberana coberta por swaps de cobertura de risco de taxas de juro. E nestes há perdas no semestre. Isto porque o spread da República portuguesa alargou no primeiro semestre, apesar da taxa de juro base ter caído, mas como a cobertura é feita com dívida alemã, e as yields alemãs caíram no semestre, o resultado da cobertura de risco (swap) foi negativo de 47,4 milhões.


No ano passado a CGD tinha tido ganhos com a venda de dívida pública e com a cobertura de risco de 300 milhões de euros, no primeiro semestre de 2015, o que ajudou os números e pesa nas contas deste semestre, na comparação.


Sem os resultados de trading que foram negativos o banco teria subido os lucros no semestre. O resultado de exploração core (soma da margem financeira estrita e comissões, deduzida dos custos operativos) do Grupo CGD aumentou 19,1% para 159,6 milhões de euros, influenciado pelo bom comportamento da margem financeira estrita e dos custos operativos.


A evolução da margem foi um ponto positivo na CGD.


A margem financeira estrita de 568,7 milhões de euros representou um crescimento de 5,5% (+29,8 milhões de euros), quando comparado com o semestre homólogo de 2015.
À semelhança da primeira metade de 2015, o crescimento da margem financeira no semestre, beneficiou fortemente da redução do custo de funding (-171,7 milhões de euros, -17,5%), que ultrapassou a redução também sentida nos juros de operações activas (-141,8 milhões de euros, -9,3%).


Este crescimento da margem financeira no semestre beneficiou fortemente da redução do custo de funding (-171,7 milhões de euros, -17,5%), que ultrapassou a redução também sentida nos juros de operações activas (141,8 milhões de euros, -9,3%). Por outro lado houve o custo suportado com as obrigações subordinadas (Cocos) no 1º semestre que foi de 40,4 milhões de euros. E os rendimentos de instrumentos de capital diminuíram por seu turno 13,5 milhões de euros, totalizando 29,6 milhões de euros.


O produto bancário foi ainda afectado pela queda das comissões bancárias de 7,1%.


A rubrica ‘outros resultados de exploração’ que se cifrou em -26,4 milhões de euros no 1º semestre de 2016 foi afectada por um montante de 25,9 milhões relativa à contribuição ex ante da CGD para o Fundo Único de Resolução respeitante ao ano de 2016. Em 2015, o pagamento daquela contribuição relativa a esse ano verificou-se apenas no mês de Dezembro.


Mas os resultados tiveram ainda o peso das elevadas imparidades para crédito.


As provisões e imparidades aumentaram no período 2,1% (+6,7 milhões de euros), fixando-se em 328,4 milhões de euros, dos quais 302,5 milhões são imparidades para crédito (no mesmo período do ano passado essas imparidades eram de 235,8 milhões).


O custo do risco do crédito é alto e piorou. A CGD tinha em Junho um custo do risco do crédito de 0,86%, o que compara com 0,66% em Junho de 2015 e com 0,78% em Dezembro.


Mas a cobertura aumentou, e isso atenua os maus números.


O crédito em risco fixou-se em Junho de 2016 em 12,2% da carteira de crédito (o que compara com 12,4% em Junho de 2015 e com 11,5% em Dezembro). O grau de cobertura do crédito em risco por provisões e imparidades foi de 63,2%, sendo o do crédito a particulares de 46,5% e o do crédito a empresas de 73,7%.


O crédito em incumprimento é alto 9,8%, e piorou quer face a Junho do ano passado, quer face a Dezembro. De Dezembro para cá tem aumentado mais.


Também o crédito reestruturado piorou para 10,3%.


Outro ponto fraco, senão mesmo o mais fraco é o rácio de capital. Não é novidade para ninguém que a CGD precisa de capital. O common equity tier 1 foi de 10% o que compara com 11% em Junho de 2015 e 10,9% em Dezembro, incluindo no rácio de capital os activos por impostos diferidos. Isto na versão phase-in. Na versão fully loaded (como se todas as regras de Basileia III - CRD IV /CRR - estivessem implementadas), o rácio ainda é pior.
Também incluindo os activos por impostos diferidos (que é uma coisa que pode deixar ser aceite pelo BCE), o rácio foi de 9,2% contra 9,8% em Junho e 10% em Dezembro.


Pela positiva, os custos operativos da CGD no semestre evidenciaram uma redução de 2%, beneficiando da contenção sentida em todas as suas componentes, designadamente nos gastos administrativos (-3,1%) e nas amortizações (-7,6%). Os custos com pessoal registaram uma ligeira diminuição de 0,7% não obstante o reforço de provisionamento verificado no 1º semestre no âmbito do programa do Plano Horizonte. No entanto a eficiência não é muita, uma vez que, não obstante a redução dos custos operativos, a quebra do produto bancário, levou a que o indicador de cost-to-income se situasse em 82,5%.


O resultado antes de impostos e de interesses que não controlam e o resultado líquido do semestre situaram-se assim em -193,1 milhões de euros e -205,2 milhões de euros, respectivamente, anuncia a CGD.


Em termos de balanço, o crédito a clientes (incluindo créditos com acordo de recompra) ascendeu no final de Junho a 70.674 milhões de euros em termos brutos e 65.284 milhões de euros em termos líquidos, o que correspondeu, face ao final de 2015, a uma redução dos saldos do crédito de 1,6% e de 2% respectivamente. "De referir que, apesar do crescimento registado quando comparada com o semestre homólogo do ano anterior, a nova produção no 1º semestre de 2016 foi insuficiente para contrariar os vencimentos da carteira", diz a Caixa.


"O total das aplicações em títulos, incluindo os activos com acordo de recompra e derivados de negociação, atingiu 20.640 milhões de euros, o que correspondeu a um aumento de 689 milhões de euros, +3,5% relativamente ao final do ano anterior, proporcionado pela boa situação de liquidez, tendo a CGD prosseguido no semestre com a estratégia de maior diversificação na composição da carteira", acrescenta o comunicado.


Os recursos de clientes alcançaram no final de Junho 72.442 milhões de euros, uma evolução positiva de 2.199 milhões de euros (+3,1%) face à mesma data do ano anterior. "Reflectindo a forte capacidade de captação de recursos da CGD, bem como a ainda limitada recuperação da procura de crédito em Portugal, o rácio de transformação situou-se em 90,1%", diz a CGD.


Em termos de depósitos, o volume caiu entre Março e Junho, cerca de 1.400 milhões de euros, apurou o Económico.


Na actividade internacional, cujo contributo para o resultado bruto de exploração consolidado ascendeu a 205,3 milhões de euros, destaque para o desempenho da Sucursal de França e BNU Macau, com 77,1 milhões de euros e 36,9 milhões de euros, respectivamente.

 

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Fotografia: Paula Nunes