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CGD. REDUÇÃO DE MAIS DE 2500 TRABALHADORES “NÃO É VIÁVEL”
2016-08-26
DINHEIRO VIVO

Cátia Simões Filipe Paiva Cardoso 26.08.2016 / 00:30


Cortes deverão centrar-se, sobretudo, na operação internacional da CGD, mas todas as geografias serão afetadas.

Cortar mais de 2500 postos de trabalho na Caixa Geral de Depósitos é inviável. “Acreditamos que o corte será feito por baixo”, referiu João Artur Lopes, presidente da direção do Sindicato dos Trabalhadores das empresas do Grupo CGD (STEC), em declarações ao Dinheiro Vivo.


Os trabalhadores da CGD, apesar de ainda não terem a exata noção da dimensão dos cortes, estão serenos, garante. Mas se for preciso deixarão de estar: “Não há nada neste momento que nos tire a serenidade. Ainda ontem [quarta-feira] o ministro das Finanças deu destaque à importância dos trabalhadores para a implementação do plano. Se houver razões para deixarmos de estar serenos cá estaremos para defender os trabalhadores.


O STEC mantém conversações constantes com Mourinho Félix, secretário de Estado do Tesouro e Finanças, e foi de uma destas reuniões que o objetivo de atingir 2500 saídas em três anos na CGD chegou a público. Mas João Artur Lopes lembra que é preciso esperar pela nova gestão para conhecer todos os detalhes do plano de reestruturação, já que é a esta que compete concluir os contornos do redimensionamento.


Há, no entanto, uma linha vermelha neste plano. Avançar para mais de 2500 saídas na CGD é tornar o banco inviável. “Não serão mais com certeza”, defende. E recorda que “a aplicação na prática de um plano desenhado em papel nunca corresponde a esse desenho”.


Mas esta ideia é um pau de dois bicos: no anterior plano de reestruturação da CGD, o banco foi obrigado a ir além dos cortes a que se tinha proposto. De acordo com o desenhado em 2012 pelas autoridades europeias e o governo de então, a CGD devia ter cortado 70 a 80 balcões em Portugal até 2017, tendo cortado 140. O mesmo ocorreu com os trabalhadores, com a redução de 1348 funcionários, quase o dobro dos 750 exigidos pela DGComp.

 
 

Cortes internacionais


Todos estes cortes registados nos últimos anos foram efetuados na atividade doméstica da CGD, e particularmente nas grandes cidades, detalhe que faz colocar a ênfase do novo redimensionamento do banco público na área internacional, “sobretudo na Europa”, de acordo com o presidente do STEC.


Se entre 2011 e o final do primeiro semestre de 2016, a CGD fechou 131 balcões em Portugal, esta evolução contrasta com as agências do banco fora do país, que ficaram na mesma, pouco acima das 490. Em termos de trabalhadores, a atividade doméstica da Caixa Geral de Depósitos perdeu mais de mil colaboradores – totalizando agora cerca de 8400.



Europa: Nem metade dos 2500


O foco da reestruturação na atividade internacional da CGD irá obrigar muito provavelmente à redução da presença do banco em todas as geografias, e não só na Europa, limitando a capacidade da instituição em servir particulares e empresas portuguesas espalhados pelo mundo. O que poderá provocar algumas críticas.


“O Grupo CGD é a única instituição financeira presente em seis dos oito países CPLP”, realça o banco no seu último relatório e contas, referindo ainda ser líder em quatro destes seis países em que está presente. Apesar da Europa, e Espanha sobretudo, ser o mercado mais referenciado como foco da reestruturação, é em África onde se concentra o maior número de trabalhadores internacionais: 4624 no final de 2015.


Já o mercado mais citado, a Espanha, é vista pela CGD como “a primeira linha de esforço de internacionalização das empresas portuguesas”. Neste mercado o banco público foca a sua “atuação no apoio a empresas espanholas e portuguesas que operam no mercado ibérico e nos mercados externos”.


Em Espanha, a CGD contava com 110 agências e 521 colaboradores, valores aquém dos que vão sendo veiculados como metas para os cortes que vão ser exigidos ao banco – além das 2500 saídas, o fecho de 300 balcões. E isto é uma verdade para toda a Europa. Nem cortando todos os trabalhadores que o banco tem na Europa fora de Portugal se chegaria a 2500: São 1162 empregados, em Espanha, França, Reino Unido, Luxemburgo, Suíça, Bélgica e Alemanha. Já na América, a CGD conta com 114 e na Ásia 612.

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Fotografia: Manuel de Almeida/LUSA