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CGD. DESCONGELAMENTO DE SALÁRIOS FOI CONDIÇÃO PARA RECAPITALIZAÇÃO SER APROVADA
2016-09-27
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António Domingues ainda aproveitou para defender que o aumento de capital da CGD deverá avançar de uma só vez, através de um aumento de capital único. 


António Domingues, novo CEO da Caixa Geral de Depósitos, explicou esta tarde aos deputados que o fim das limitações salariais previstas para o banco público foi uma das alterações necessárias para que a recapitalização da CGD não fosse considerada um auxílio estatal.

“Ter uma política de incentivos compatível com a banca privada é uma condição para passar o teste do acionista privado”, explicou.


Presente na Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco (CPIRCGDGB), António Domingues revisitou as semanas desde que foi convidado para presidir o banco público e o fecho das contas às necessidades do banco, tendo inclusivamente elogiado as equipas da Direção-geral da Concorrência europeia.Quanto à recapitalização do banco, Domingues defendeu que a mesma deve ser feita de uma só vez.


“Fui abordado pelo ministro das Finanças a 19 de março, que me pediu para olhar para a CGD. Pedi tempo para estudar o assunto e depois de algumas semanas, analisados os balanços do banco, percebi que havia necessidades de capital, algo evidente pela degradação dos rácios de capital e pelas exigências da regulação, mas também através da minha própria avaliação, em comparação da CGD com os pares”, começou por explicar Domingues.


De seguida, o novo presidente da CGD, e ex-administrador do BPI, lembrou que o banco que agora lidera já estava debaixo de um plano de reestruturação, que foi considerado auxílio estatal, pelo que, avançando um novo aumento de capital para o banco, e dado o novo enquadramento bancário, este já obrigaria à partilha de custos. Depois da análise às contas do banco, Domingues avançou com indagações no terreno, reunindo com os supervisores europeus.


“Das minhas diligências em Bruxelas e Frankfurt, reuni conjunto de conclusões que me levaram a transmitir ao governo quais as condições necessárias para a recapitalização avançar. Do diálogo com Bruxelas, percebeu-se que era preciso cumprir o testo do acionista privado, ou seja, de que tinha que haver um plano credível; o modelo de governo tinha de assegurar independência da gestão; e a CGD tinha que ter política de remuneração e incentivos idêntica à da concorrência”, detalhou.


“Logo, foi nesse quadro que disse ao sr. Ministro das Finanças que estava disponível para aceitar e desde logo formulei as linhas gerais para cumprir estas três exigências.”


Estas reuniões decorreram até 16 de abril, especificou, e foi das conversas com a DGComp e mesmo com o BCE que Domingues desenhou e entregou a Mário Centeno um plano que evitasse ser considerado auxílio estatal: “Percebi que era possível desenhar um plano de recapitalização sem ser visto como ajuda de estado desde que houvesse um plano estratégico credível, que a CGD tivesse um modelo de gestão que assegurasse a independência e uma política de incentivos compatível com a banca privada, uma condição necessária para passar o teste do acionista privado”, voltaria a dizer aos deputados.


Domingues ainda aproveitou para defender que o aumento de capital da CGD deverá avançar de uma só vez, através de um aumento de capital único.

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O presidente da Comissão Executiva da
Caixa Geral de Depósitos, SA, António Domingues, na audição da comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República, em Lisboa, 27 de setembro de 2016.

Fotografia: JOÃO RELVAS/LUSA