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CGD CONCEDIA CRÉDITO SEM OLHAR PARA OS RISCOS DAS EMPRESAS
2019-01-21
EXPRESSO
Miguel Prado
21.01.2019 às 14h58
 

Relatório preliminar da auditora EY concluiu que, pelo menos até 2015 o rating não era “um elemento central no desenho das políticas de crédito”, recomendando uma mudança de procedimentos no banco estatal.

“As políticas de crédito não concretizam uma relação entre o rating (e eventualmente outros fatores) e a elegibilidade da operação para a concessão de crédito ou limites de exposição”. Esta é uma das conclusões do relatório preliminar da auditoria que a EY fez aos atos de gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 2000 e 2015.
 
O relatório data de dezembro de 2017 e resultou de um requerimento de março desse ano do Secretário de Estado Adjunto e das Finanças. Até hoje o Governo não o divulgou. O documento, que o Expresso sabe tratar-se de uma versão preliminar, foi revelado pela comentadora política Joana Amaral Dias na CMTV e expõe as fragilidades da concessão de crédito da CGD ao longo de década e meia.
 
Nesse relatório a EY nota que “o rating não é um elemento central no desenho das políticas de crédito, nomeadamente não é elemento de elegibilidade para a decisão de concessão”.
 
O documento diz também que na CGD “não existe um normativo de crédito que estabeleça a monitorização regular do risco das carteiras de crédito”. E que o normativo em vigor no banco estatal “não determina suficientemente a periodicidade mínima de reavaliação dos colaterais por tipo de colateral”.
 
Um dos períodos que a EY detalha é o de 2006 a 2011. E nessa altura, concluiu a auditora, “o processo de decisão estabelecido não considerava o rating um elemento relevante, mesmo nos pareceres de risco”. A auditora diz que “as decisões eram tomadas sem que o escalão de decisão justificasse a decisão, mesmo quando as propostas dos pareceres de risco não eram acomodadas ou as condições requeridas em normativo não eram verificadas”.
 
O relatório diz ainda que “estes procedimentos eram agravados pela inexistência de políticas de crédito com objetivos e limites que balizassem as decisões e se constituíssem como uma métrica de controlo”.
 
A EY recomenda no seu relatório preliminar que as estratégias da CGD “devem materializar-se em políticas de crédito que integrem de forma explícita os ratings / graus de risco e que os relacionem com escalões de decisão de crédito, limites de exposição, níveis de colateralização e pricing das operações”.
 
Só em sete operações o banco perdeu 580 milhões de euros, revela a auditoria, que também conclui que a instituição concedia prémios aos seus gestores de forma avulsa, mesmo em períodos em que tinha prejuízos.
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Fotografia: Luís Barra