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Terça-feira, 25 de Junho, 2024

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Justificação económica da proposta do STEC de aumento de salários dos trabalhadores da CGD em 2024
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Vai-se dividir este estudo económico em quatro partes por uma questão de clareza e sistematização:

(1) Análise das subidas dos salários dos trabalhadores da CGD no período 2018/2023 e cálculo da perda de poder de compra que os salários sofreram nesse período;

(2) A justificação da proposta do aumento de salários para 2024 apresentado pelo STEC;

(3) O aumento da produtividade dos trabalhadores no período 2018/2023 que não é partilhado com os trabalhadores, como as práticas de boa gestão defendem;

(4) O impacto reduzido e totalmente comportável para a CGD da proposta de Tabela do STEC não causando qualquer diminuição significativa nos enormes lucros atuais da CGD nem na sua sustentabilidade futura, nomeadamente no seu “Cost-to-income”.

 

 

I – O AUMENTO DOS SALÁRIOS DOS TRABALHADORES DA CGD NO PERÍODO 2018/2023 E A PERDA DE PODER DE COMPRA QUE SOFRERAM

 

O quadro 1 mostra os aumentos dos salários dos trabalhadores da CGD no período 2018/2023

 

Quadro 1 – Os salários dos trabalhadores da CGD por níveis e escalões, e massa salarial mensal no período 2018/2023

 

01_03_just_eco_2024_quad1

 

Como revela o quadro, os aumentos médios dos salários, excetuando 2023, foram sempre inferiores a 1%, e os de 2021, 2022, e 2023 consideravelmente inferiores à inflação verificada segundo o INE o que determinou que os trabalhadores da CGD tenham sofrido, em termos médios, uma redução importante do seu poder de compra entre 2019/2023, como revela o gráfico1 apresentado seguidamente.

 

01_03_just_eco_2024_graf1

 

Entre 2019 e 2023, o poder de compra dos salários ilíquidos dos trabalhadores da CGD sofreu uma redução de -5,9%, apesar dos elevados lucros acumulados pela CGD durante este período (3681 milhões € só até set.2023).

 

 

II – A PROPOSTA DE AUMENTO DE SALÁRIOS PARA 2024 DO STEC E A SUA JUSTIFICAÇÃO

 

Seguidamente apresenta-se a proposta de aumentos dos salários dos trabalhadores do STEC e a quantificação do aumento de despesa que determinaria para a CGD com base nos dados disponibilizados pelo empregador.

 

Quadro 2 – Proposta de tabela salarial para 2024 apresentada pelo STEC e quantificação do aumento de despesa

 

01_03_just_eco_2024_quad2

 

 

Como mostram os dados do quadro 2, o aumento da despesa anual que determina a proposta do STEC seria de 7,68%, que se traduziria num aumento anual de despesa para a CGD (incluindo salários, segurança social e subsídio de refeição que se consegue calcular com base nos dados disponibilizados pela CGD) de apenas 15,3 milhões € por ano. O aumento de 7,68% permitiria aos trabalhadores da CGD recuperar apenas uma parte (não a totalidade) do poder de compra perdido no período 2019/2023, que se traduziu em lucros acrescidos para a CGD, mas também compensar a inflação prevista para 2024 (a previsão do aumento do IPC de 3,3% para 2024 é a do Conselho de Finanças Públicas, a do FMI é 3,4%, mas eventualmente será maior se a guerra na Palestina se agravar com o aumento do preço dos transportes).

 

01_03_just_eco_2024_graf2

 

Mesmo com um aumento de 7,68% das remunerações em 2024, o poder de compra dos salários dos trabalhadores da CGD continuaria inferior em -1,8% ao poder de compra que tinham no início de 2019, como revelam os dados oficiais que se utilizou para construir o gráfico 2.

 

 

III – O AUMENTO SIGNIFICATIVO DA PRODUTIVIDADE DOS TRABALHADORES DA CGD NO PERÍODO 2019/2023 E A NÃO PARTILHA COM OS TRABALHADORES

 

O quadro 3, cujos dados foram calculados com base nos divulgados pelo próprio conselho de administração da CGD, mostra o aumento significativo da produtividade por trabalhador no período de 2019 a set. 2023. E nenhuma parcela deste aumento de produtividade foi partilhada com os trabalhadores quando a prática de uma boa gestão aconselha e, mais, numa empresa publica que devia dar o exemplo.

 

Quadro 3 – O aumento do crédito, dos depósitos e do produto bancário por trabalhador -2019/set.2023

 

01_03_just_eco_2024_quad3

 

Para avaliar a evolução da produtividade por trabalhador, selecionamos estes 3 indicadores – crédito, depósitos e produto bancário por trabalhador – que são os mais adequados a uma entidade bancária. E entre 2019 e set.2023 (e tenha-se presente que em relação a 2023 apenas se considera a atividade de 9 meses pois ainda não há dados disponíveis de todo o ano), o crédito concedido em Portugal por trabalhador aumentou 20%, os deposito por trabalhador subiram 42,2% e produto bancário por trabalhador aumentou 92,5%. E recorde-se que na proposta de tabela salarial apresentada pelo STEC para 2024, e também nas anteriores, não se considerou qualquer valor para a partilha com os trabalhadores do aumento significativo da produtividade na CGD que os dados do quadro provam de uma forma quantificada, quando era justo que tal acontecesse pois ele resulta do seu esforço e dedicação, como as boas práticas de gestão assim o indicam.

 

 

IV – O REDUZIDO IMPACTO DA SUBIDA DE SALÁRIOS CONSTANTE DA PROPOSTA DO STEC NA ESTRUTURA DE CUSTOS DA CGD, NA SUA SUSTENTABILIDADE E EFICIÊNCIA

 

Para provar que o aumento de remunerações para 2024 constante da proposta do STEC tem um reduzido impacto na estrutura de custos da CGD e, consequentemente, é totalmente comportável pela empresa, vai-se fazer algumas simulações utilizando os últimos dados divulgados nas demonstrações financeiras da empresa que são os de set.2023 . Os resultados dos cálculos feitos constam do quadro 4.

 

Quadro 4 – Impacto de um aumento de 7,68% nas remunerações dos trabalhadores no “Cost-to-Income” e nos lucros líquidos da CGD

 

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Na análise que se fez para avaliar o impacto de um aumento de 7,68% nas remunerações dos trabalhadores na estrutura de custos da CGD e se seria comportável, utilizou-se dois importantes indicadores de sustentabilidade: o “Cost-to-income”, que avalia o peso dos custos de estrutura, que incluem os custos de pessoal, no produto bancário, ou produto de atividade, da CGD como é designado nesta instituição bancária, portanto a sua eficiência; e nos seus resultados líquidos obtidos no período considerado. . Em relação aos custos de pessoal considerou ¾ do aumento anual estimado. E os resultados constam do quadro nas duas últimas linhas coloridas a amarelo.

 

E a conclusão que se tira é que o “cost-to-income” sofreria um aumento irrisório de 0,5 pontos percentuais (passaria de 24,6% para 25,1%) continuando a ser o mais baixo do mercado, e os Lucros líquidos continuariam muito elevados : 928,9 milhões € apenas nos três primeiros trimestres de 2023 quando em igual período de 2022 tinham sido 609,1 milhões €.

 

 

 

Eugénio Rosa
28/12/2023

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