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Paulo Macedo - Fotografia: © Lusa

Caixa vê oportunidade no digital. Em 2020 poupa 90% no papel, 35% na luz e 30% em espaço ocupado
DINHEIRO VIVO
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João Tomé

15 Março, 2021 • 20:56
 
 

Líder da Caixa Geral de Depósitos (CGD) diz que bancos devem apostar no digital, inclusive na “virtualização da força de trabalho” e admite que 90% dos serviços financeiros do banco público estão a trabalhar de casa, tal como o call center e prevê mudanças no futuro.

 

 

Paulo Macedo falou esta tarde num evento do Banco de Portugal e pelo Banco Europeu de Investimento sobre o fim das moratórias, deu conselhos ao governo sobre com pode usar mecanismos da banca para garantir o sucesso do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), mas também apontou a “luz ao fundo do túnel” com o que chamou de “oportunidade de transformação”.

 
Apesar das perspetivas de aumento dos créditos malparados (NPL) com o fim das moratórias e margens mais baixas para os bancos (Portugal só deve recuperar em 2023), o líder da CGD deixa a receita: “temos de atacar as ineficiências que os bancos têm e aproveitar a oportunidade do digital e essa será claramente uma oportunidade de inclusão na relação entre clientes e bancos mas também para lucros”.
 
O objetivo deve passar assim por “melhorias na viagem do cliente, sem aumentar os custos dos clientes” para que os bancos “possam ser lucrativos”.
 
O desafio, diz, será de “aproveitar as oportunidades no mercado e enfrentar as dificuldades estruturais da banca”. E aí a digitalização, bem como a virtualização da força de trabalho têm uma palavra a dizer. “Temos 90% dos nossos serviços financeiros em casa, tal como os serviços de call center e estas tendências fazem parte das novas oportunidades”, explica o gestor que dá ainda como receita o foco em segurança e vigilância (“há mais ciberataques do que nunca”), responsabilidade corporativa, redução de custos e emergência do que chama de ecossistemas pop up.
 
Em sentido descendente nas tendências devido à pandemia estão, diz Macedo, “a economia da partilha, a urbanização e o movimento global de pessoas e bens”.
 
Nesse aspeto, os registos da Caixa mostram bem “que a crise foi um acelerador digital”. “Passámos de transações digitais inferiores a 52% no início do ano mais 71% no final de 2020 e valores insignificantes de levantamentos nas sucursais e caixas multibanco”. Já o acesso ao serviço online Caixa Direta subiu 21% em 2020, com mais de 1,1 milhões de acessos de clientes num só dia.
 
 
Menos água, luz, papel e escritório
 
Para mostrar a aposta na sustentabilidade, Macedo deu alguns números comparativos da instituição, que viu de 2016 para 2020 (com a pandemia) cair o consumo de eletricidade em 35%, o consumo de água teve queda de 39% (no edifício principal). Já o consumo de papel caiu 90% – passou-se de 677 toneladas em 2016 para 67 em 2020 (em 2019 tinham gasto 431 toneladas).
 
As emissões de CO2 caíram 65% nos últimos quatro anos e passou a haver menos 30% de área ocupada em edifícios (697 mil m2 em 2016 para 485 mil m2 em 2020).
 
 
Faltam competências também na gestão
 
Uma das receitas de Macedo para o sucesso não só do PRR, mas também na saída da crise pandémica em melhor forma passa por colmatar a falha nas competências. Aí cita um estudo da World Economic Forum, que indica que cinco em cada nove das barreiras ao investimento e sucesso num país estão relacionadas com competências, não só na força de trabalho (55,4%) mas também competências na gestão (41,4%).
 
Além disso, a incapacidade de atrair talento (46,7%), falta de capacidade em perceber oportunidades (38,9%) e falta de flexibilidade em contratar e despedir (26,3%), além da flexibilidade das regras, falta de capital ou falta de interesse na liderança são outros fatores.