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Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2024

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Fotografia: José Gageiro

CGD vai cortar “spreads” a famílias que encaixem no crédito bonificado
JORNAL DE NEGÓCIOS

Diana Ramos
25 maio – 01:52

 

 

Instituição vai avançar com uma redução de 50 pontos base no crédito à habitação para as famílias com dificuldades em pagar a prestação da casa e que cumpram as regras do novo decreto-lei.

 

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai cortar o “spread” pago pelas famílias que encaixem no crédito bonificado, uma medida apresentada pelo Governo para mitigar o aumento do custo de vida e que entrou recentemente em vigor.

 

“Às pessoas em condições mais frágeis, aproveitando o enquadramento definido para o crédito bonificado, iremos fazer uma revisão [do spread do emprésimo à habitação], analisando caso a caso”, afirmou o presidente executivo do banco público, Paulo Macedo, no CEO Banking Forum, um espaço de debate promovido pela SIC e pelo Expresso e que juntou os líderes dos principais bancos nacionais.

 

A medida, explicou o banqueiro, avançará no segundo semestre deste ano como forma de “complementar os esforços do Governo”. “Estamos disponíveis para fazer uma revisão nos créditos que se enquadrem nas condições desse decreto-lei em até 50 pontos base adicionais”, explicou Paulo Macedo.

 

A bonificação destina-se a famílias com créditos à habitação até 250 mil euros, celebrados até 15 de março de 2023, e que apresentem uma taxa de esforço igual ou superior a 35% do seu rendimento anual com o valor das prestações anuais do crédito. A bonificação tem também em conta o rendimento das famílias e está apenas disponível para famílias com rendimentos até ao sexto escalão de IRS (até 33.632 euros de rendimento coletável).

 

Na apresentação dos resultados da CGD relativos ao primeiro trimestre, e após declarações do Presidente da República que apelavam aos bancos para encontrarem soluções para as famílias em maiores dificuldades, Paulo Macedo já tinha afirmado que a instituição financeira está a “estudar várias hipóteses”. “Alguma coisa vamos fazer” para ajudar as famílias em dificuldades no crédito à habitação, assegurou na altura.

 

O gestor adiantou também que existe uma elevada concorrência no setor no que toca ao crédito à habitação. “Neste momento, no crédito à habitação há uma guerra de ‘spreads’. O que vejo é que há ‘spreads’ que são muito inferiores a 0,8%”, explicou.

 

Paulo Macedo afastou também a ideia de que os bancos não estão a ajudar as famílias em maiores dificuldades, lembrando que “não tivemos nenhuma fila de pessoas a entrar pelas agência adentro” e que “os bancos foram resolvendo paulatinamente os casos”.

 

Já sobre os depósitos, o presidente executivo da CGD afirmou que “há um mito” de que os juros pagos pela poupança são reduzidos, adiantando que “se formos ver tudo o que são ofertas de taxas, o que temos é que a cada 15 dias há um banco que aumenta uma taxa, em média, desde o início do ano”.

 

 

Portugueses pouparam 11 mil milhões nos últimos anos

 

No mesmo debate, o presidente executivo do Santander Totta afirmou que “nos últimos 10 anos, os portugueses que têm crédito à habitação pagaram menos 11 mil milhões de euros de juros do que se tivessem as taxas que existiam, em média, na UE”. Esta poupança está associada, frisou, ao facto de no país o grosso dos financiamentos à habitação estar indexado a taxas de juros variáveis.

 

“A taxa média em Portugal nos últimos 10 anos foi de 1,2% e na Europa foi de 2,4%”, explicou Pedro Castro e Almeida, reconhecendo depois que “nos últimos seis meses é verdade que [os portugueses] estão a pagar mais” por força da subida das Euribor. E destacou que o problema mais significativo está relacionado com o ritmo de subida dos juros que, face a 2008, foi muito mais signficativo.

 

“Quantos clientes estão em incumprimento nos bancos? Se houvesse um grande incumprimento quereria dizer que os bancos não estavam a ajudar, mas não temos um incumprimento relevante nos bancos e é inclusive inferior a 2019”, sublinhou.

 

 

75% dos créditos à habitação na Zona Euro são a taxa fixa

 

O presidente executivo do BCP, Miguel Maya, alinhou pelo mesmo diapasão, detalhando que “por detrás de todas as estatísticas existe um contexto”, numa alusão aos números que dão conta de que em Portugal os juros cobrando no financiamento para a compra de casa são mais elevados do que a média da Zona Euro.

 

“A taxa variável em Portugal é maior do que na Zona Euro: 75% dos créditos na Europa são a taxa fixa, em Portugal são 25%”, enfatizou. “Ora, quando as taxas sobem não era normal e expectável que essa realidade se materializasse? Os clientes [da Zona Euro] estiveram a pagar nos últimos 10 anos uma taxa maior”, descreveu.

 

Miguel Maya adiantou ainda que “em termos de execuções judiciais para tomadas de casas, estas são seis vezes menos do que tínhamos em 2018, no caso do BCP”. “Isto demonstra maior sensibilidade”, afirmou o banqueiro.

 

No que toca aos depósitos, o CEO do BCP frisou que “se um cliente acha que os depósitos não estão a ser pagos convido os clientes a virem ao BCP”. “A questão que devíamos estar a colocar é porque o preço da habitação cresceu entre 2019 e 2022 45%”, acrescentou de seguida.

 

 

Apelo a que não tenhamos “memória curta”

 

João Pedro Oliveira e Costa, presidente executivo do BPI, fez um apelo durante o debate entre os principais banqueiros para que “não tenhamos memória curta”.

 

“Fizemos todos um enorme esforço para conseguirmos ter uma banca saudável que possa apoiar as famílias e as empresas”, frisou.

 

No que toca ao crédito à habitação, o banqueiro adiantou que o setor presta atenção aos recados dos principais protagonistas políticos, mas frisou que “é aconselhável que não utilizemos a banca como um mecanismo para ser populista”.

 

“No BPI, nos últimos 12 meses, entraram no banco apenas quatro casas de recuperação e, nos últimos três anos, apenas 30”, descreveu, adiantando que a isntituição financeira tem uam carteira com cerca de 140 mil créditos à habitação.

 

 

IPO como caminho mais evidente

 

Mark Bourke, CEO do Novo Banco, preferiu deixar o debate em torno do crédito à habitação e dos depósitos mais centrado na concorrência. Já sobre o futuro do banco, adiantou que continuam a trabalhar para um cenário de dispersão de capital em bolsa.

 

“Estamos agora a prepararmo-nos para quando a altura chegar e os mercados abrirem olharmos para a operação”, afirmou no debate, frisando que ainda que haja vários cenários em aberto “um IPO seria o caminho mais evidente”.

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