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Fotografia: © Reuters

CT da CGD teme que banco esteja a “definar até desaparecer”
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13:55 – 25/03/22 por Lusa

 

 

A Comissão de Trabalhadores da CGD considera que a administração continua a enfraquecer o banco público e teme que este esteja a “definhar até desaparecer”, a propósito do encerramento hoje da agência no Barracão, concelho de Leiria.

 

Em declarações à Lusa, o coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT) da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Jorge Canadelo, considerou “simbólico” o encerramento desta agência pois significa que o banco quer continuar a reduzir a sua estrutura, temendo que este esteja mesmo a “definhar até desaparecer”.

 

O representante dos trabalhadores lembrou que, nos últimos quatro anos, houve redução de milhares de trabalhadores e fecho de centenas de agências no âmbito do plano de reestruturação negociado por Bruxelas, aquando do aumento de capital, considerando que agora, já com esse plano terminado, a administração liderada por Paulo Macedo parece querer manter-se no mesmo caminho.

 

“Os últimos quatro anos foram terríveis mas o argumento era de que era obrigatório. Agora queremos saber quem manda na Caixa e para onde vai a Caixa e vamos pedir audiências a entidades públicas, aos partidos, ao Governo, ao Presidente da República. Há uma fragilização da Caixa e do serviço público bancário”, afirmou o representante dos trabalhadores.

 

Sobre o novo plano estratégico (2021-2024), o coordenador da CT quer saber “a mando de quem foi elaborado, com o sancionamento de quem” e diz que a CT já questionou a administração em janeiro sobre saídas de trabalhadores e fecho de balcões aí previstos, até agora sem obter resposta.

 

Quanto ao encerramento hoje da agência no Barracão, no concelho de Leiria, disse que esta é “uma agência produtiva, que serve necessidades da população e do tecido económico de Leiria”, e que este encerramento foi decidido sem a consulta da Comissão de Trabalhadores, ao contrário do que impõe a lei (parecer prévio, não vinculativo), pelo que farão queixa à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

 

Pelas 15:00 de hoje haverá uma concentração de elementos da CT junto a esta agência para denunciar o seu fecho. O encerramento desta agência foi criticado por autarcas, segundo a imprensa local.

 

A Lusa questionou a CGD sobre que outras agências estão previstas fechar este ano e quantas estão previstas fechar no novo plano estratégico, referindo fonte oficial que não tem informação sobre o assunto para disponibilizar.

 

Também esta semana, em comunicado, a Comissão de Trabalhadores da CGD criticou a organização do encontro do banco público (“Encontro da Caixa … Fora da Caixa”) no sábado 19 de março, Dia do Pai, no Campo Pequeno, em Lisboa, referindo que os trabalhadores foram instados a participar “ignorando [a CGD] o direito ao descanso dos trabalhadores”, referindo mesmo que alguns tiveram de fazer viagens de quatro horas.

 

“Organizar um evento destes com pressupostos questionáveis, de custos elevadíssimos e desrespeitando direitos e valores, atesta bem a forma como os trabalhadores da CGD são tratados pela empresa e define na óptica da administração qual o seu real valor”, afirmou a CT da CGD, referindo que os trabalhadores assistiram a um evento de promoção da CGD “que não teve qualquer pausa”, tendo tido “direito a uma mochila com 33cl de água, uma empada de frango, um chocolate e uma maçã”.

 

“Assim estavam ‘preparados’ para o evento que não teve qualquer pausa entre as 9:00 e as 15:00 e onde ainda ouviram ‘não façam dramas porque há quem esteja bem pior’, com uma alusão no mínimo infeliz àqueles que sofrem em cenários de guerra, alusão esta acompanhada dum suporte de vídeo com trágicas imagens da guerra. Sem comentários”, criticou a CT da CGD, que considera que há cada vez maior distanciamento entre os trabalhadores e a gestão do banco público.

 

No final de 2021, a Caixa Portugal tinha 6.177 trabalhadores, menos 67 do que em 2020, e 542 agências, menos uma do que em 2020.

 

No final de 2016 (antes de se iniciar o plano estratégico 2017-2020), na atividade bancária (CGD Portugal) o número de empregados ascendia a 8.113, segundo o relatório e contas de 2016. As agências bancárias eram 717 em Portugal.

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