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NOtÍCIAS DE IMPRENSA

Remunerações dos gestores da banca aumentam 20% em 2022
ECO SAPO

Alberto Teixeira
8 Maio 2023

 

 

Quem foi o CEO mais bem pago na banca portuguesa? Prémios atribuídos aos conselhos de administração dos bancos quase duplicaram no ano passado após proibição na pandemia.

 

Num ano marcado por resultados históricos, as remunerações dos gestores das principais instituições financeiras em Portugal atingiram os 27,7 milhões de euros. Trata-se de um aumento de quase 20% em relação ao ano anterior, e que se deveu sobretudo à subida dos prémios atribuídos aos conselhos de administração dos bancos, que quase duplicaram, depois da proibição durante a pandemia.

 

Os administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Santander, BPI e Novobanco receberam 19,3 milhões em salários fixos, o que corresponde a uma subida de 1,7% em comparação com 2021, de acordo com os dados compilados pelo ECO com base nos relatórios e contas dos bancos.

 

Enquanto isso, os bónus (atribuídos) dispararam 93% para cerca de 8,4 milhões de euros, correspondendo a cerca de 30% do total das remunerações que os gestores da banca tiveram direito no ano passado.

 

O aumento dos bónus surge depois de quase dois anos em que a remuneração variável esteve suspensa pelos reguladores, que recomendaram prudência aos bancos devido à crise da pandemia de Covid-19. A proibição do Banco Central Europeu (BCE) – que se estendeu aos dividendos – só foi levantada em outubro de 2021.

 

Entre os cinco principais bancos em Portugal, o BCP foi quem teve mais encargos com as remunerações do conselho de administração no ano passado: totalizaram os 7,5 milhões de euros entre componente fixa e variável, um aumento de 30% devido ao incremento dos prémios atribuídos em numerário e ações – num ano em que a remuneração média anual dos trabalhadores teve um aumento de 5,7%, de acordo com o banco liderado por Miguel Maya.

 

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Seguem-se os “espanhóis” Santander Totta e BPI, onde as remunerações fixas e variáveis dos administradores atingiram 5,7 milhões (+10,2%) e 5,6 milhões (+22%), respetivamente, também à boleia dos prémios. A título de comparação, no Totta, por exemplo, o aumento da massa salarial foi de 3%.

 

No Novobanco, o aumento das remunerações da comissão executiva e conselho geral e supervisão foi de 1% para 4,8 milhões – 2,8 milhões em remuneração fixa e 1,9 milhões em remuneração variável que continuou congelada devido ao processo de reestruturação.

 

Já os administradores da Caixa tiveram remunerações de 4,2 milhões de euros, mais 36,8% – a componente fixa aumentou 12,5% e a componente variável também pois o banco não revelou valores de 2021. A massa salarial do conjunto dos trabalhadores do banco público aumentou 2,42% no ano passado, com a remuneração média a situar-se nos 2.501 euros.

 

De fora desta análise ficaram os montantes atribuídos em forma de complemento de reforma e ainda outras remunerações como subsídio de expatriação (no Novobanco, Mark Bourke recebeu 102 mil euros), prémios de assinatura ou indemnizações (António Ramalho e outro gestor do Novobanco tiveram uma compensação de 460 mil euros pela rescisão antecipada do contrato).

 

 

Qual o CEO mais bem pago?

 

Do total das remunerações fixas e variáveis atribuídas às administrações no ano passado, cerca de 15% serviram para remunerar os presidentes executivos dos bancos, num total de 4,18 milhões de euros – um aumento de 20% em relação a 2021.

 

Os CEO do BCP e do Santander foram os mais bem pagos. Miguel Maya teve uma remuneração de 1,2 milhões de euros, dividida entre a componente fixa de 650 mil euros e a variável de 556 mil euros. Já Pedro Castro e Almeida auferiu um salário anual fixo de 850 mil euros, não sendo discriminado o prémio atribuído em 2022 – no ano anterior atingiu os 540 mil euros.

 

João Pedro Oliveira e Costa, presidente executivo do BPI, atingiu quase o milhão de euros de remunerações: 725 mil euros de salário fixo e um bónus de 240 mil.

 

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Quanto a Paulo Macedo, o quarto mais bem pago, obteve remunerações de 666 mil euros na Caixa, com o salário fixo a manter-se nos 423 mil euros, enquanto o prémio atribuído (e a pagar nos próximos anos) atingiu os 243,4 mil euros.

 

Dos banqueiros dos cinco principais bancos, o irlandês Mark Bourke teve a remuneração mais baixa, quase meio milhão de euros. A componente fixa foi de 387 mil euros e a variável de 107,8 mil. Bourke apenas assumiu a liderança do Novobanco em agosto, substituindo António Ramalho, pelo que a remuneração do irlandês no ano passado diz respeito a sete meses enquanto administrador financeiro e cinco meses enquanto CEO.

 

Os cinco bancos tiveram lucros de 2,5 mil milhões de euros em 2022, um aumento de 70% face a 2021.

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