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Sindicato dos trabalhadores da CGD diz que banco não quadruplicou os prémios
JORNAL ECONÓMICO
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Maria Teixeira Alves

08 Março 2021, 12:17
 
 
O Sindicato dos Trabalhadores da CGD contesta que o banco tenha multiplicado por quatro os prémios pagos aos trabalhadores em pleno processo de reestruturação. A notícia dava conta que em 2020 os trabalhadores da CGD receberam 9,7 milhões de euros em prémios, incentivos e recompensas por mérito, acima dos 2,3 milhões recebidos em 2016. STEC aponta críticas a Paulo Macedo.
 
O Sindicato de Trabalhadores das Empresas do grupo Caixa Geral de Depósitos (STEC), em comunicado, queixa-se da falta de prémios, na sequência da notícia do Jornal de Negócios que revelou que os trabalhadores da Caixa receberam quase 10 milhões de euros em prémios, incentivos e recompensas por mérito em 2020, naquele que foi o último ano do plano de reestruturação acordado em 2016 com a Comissão Europeia, no âmbito da sua recapitalização.
 
A notícia dava conta que em 2020 os trabalhadores da CGD receberam 9,7 milhões de euros em prémios, incentivos e recompensas por mérito. O que, comparado com os montantes pagos em prémios aos funcionários antes de começarem os cortes no banco estatal português — 2,3 milhões de euros em 2016 —, é cerca de quatro vezes superior.
 
Mas confrontado com os valores pagos no ano anterior, até fica abaixo. Já que em 2019 foram distribuídos 12,1 milhões de euros.
 
Desde que o plano de reestruturação — que implicava corte de custos, redução de pessoal e encerramento de agências —  foi implementado, o pagamento de prémios na CGD tem vindo a aumentar. Ao todo, entre 2016 e 2020, foram pagos quase 34 milhões de euros em prémios apenas aos trabalhadores, não incluindo aqui a administração.
 
O STEC contesta estes números e faz críticas à administração de Paulo Macedo. “Pretende-se deixar bem claro, que os trabalhadores da CGD não viram os seus prémios quadruplicar”, dizem. O sindicato não apresenta no entanto uma correção às contas do Jornal de Negócios.
 
Diz o sindicato que “o artigo refere que teve acesso a dados e números, mas é omisso na forma como acedeu aos mesmos, provavelmente patrocinados pela CGD, que tem como objetivo deturpar a realidade dos factos, denegrir a imagem dos trabalhadores da CGD e simultaneamente transmitir a ideia que esta Administração recompensa e valoriza os trabalhadores”. Em nome do direito ao contraditório, o sindicato diz que essa não é “a verdade dos factos”.
 
“De 2013 a 2016 os trabalhadores da CGD tiveram cortes salariais, as promoções e evolução na carreira estiveram congeladas, ao contrário da restante banca, perpetuando uma imposição da Troika feita no Orçamento Geral do Estado.  Em 2017 essa situação foi revertida para a função pública e outras empresas do setor empresarial do Estado o que não sucedeu na CGD apesar de todos os esforços do STEC junto das diversas instâncias, Governo, PR e justiça”, diz a estrutura sindical.
 
O STEC queixa-se que, “do lucro da CGD obtido em 2019 no valor de 776 milhões de euros alcançados através do trabalho e empenho de todos os trabalhadores, apenas foram distribuídos por estes cerca de 1,56% desse valor. É esta a importância que a Administração e o acionista Estado dão aos trabalhadores da CGD”.
 
Mas acusa a CGD de excluir “milhares de trabalhadores da justa e meritória compensação pelos resultados obtidos pela empresa com base na atribuição de prémios de forma arbitrária e discriminatória, excluindo inclusivé os trabalhadores que tiveram de faltar por falecimento de familiares”.
 
O STEC acusa ainda a gestão da Caixa de fazer “contratações para os níveis mais elevados de remuneração, sem recurso à obrigatoriedade de abertura de concurso interno, e simultaneamente pratica-se assédio sobre os trabalhadores para saírem da empresa através de programas de rescisão ou reforma antecipada”.
 
O sindicato contrapõe os valores dos prémios “milionários” atribuídos à Administração durante o mesmo período de cinco anos. E invoca que esta é a “administração mais bem paga na história da CGD em que os seus membros chegam a auferir 20 vezes mais que os trabalhadores, tendo esses vencimentos coincidindo com a aplicação do plano de reestruturação”.
 

A estrutura sindical demonstra mais uma vez a sua tensão com a administração de Paulo Macedo ao lembrar no comunicado a remuneração do CEO em 2019.